Uma escassez global de chips de memória, impulsionada pelo setor de inteligência artificial, está causando um impacto significativo na indústria de smartphones. Segundo um novo relatório da IDC (International Data Corporation), a falta de componentes de memória deve elevar os preços dos smartphones a patamares recordes neste ano.
De acordo com o estudo, o preço médio de venda de smartphones aumentará 14% em 2026, alcançando US$ 523. Além disso, os fabricantes não conseguirão mais produzir celulares por menos de US$ 100. A IDC também prevê uma queda recorde de 12,9% nas vendas de smartphones, totalizando 1,12 bilhão de unidades, o nível mais baixo em mais de uma década.
Francisco Jeronimo, chefe de pesquisa em dispositivos móveis da IDC, afirmou:
““O que estamos presenciando não é uma crise passageira, mas um choque devastador originado na cadeia de suprimentos de memória, com efeitos que se espalham por toda a indústria de eletrônicos de consumo.””
A crise de semicondutores é resultado do aumento da demanda por inteligência artificial e da corrida para construir centros de dados que dependem fortemente de chips de memória. Os maiores fabricantes de chips de memória do mundo, localizados na Ásia, estão priorizando o fornecimento para a indústria de IA, deixando menos componentes disponíveis para eletrônicos de consumo, como laptops e celulares.
A IDC destacou que a escassez deve afetar permanentemente os fabricantes de smartphones, especialmente os menores que utilizam o sistema operacional Android. Em contrapartida, grandes empresas como Apple e Samsung podem se beneficiar, aumentando sua participação de mercado.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, enfatizou a importância dos chips de memória para o desenvolvimento da IA, afirmando:
““A quantidade de memória necessária para que a IA seja útil está aumentando substancialmente. A memória é muito importante para o futuro da IA.””
Os preços dos chips DRAM e HBM atingiram níveis recordes, quase dobrando no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o trimestre anterior, segundo a Counterpoint Research. Isso leva os fabricantes a reduzir a quantidade de memória em dispositivos ou focar na produção de produtos premium.
As ações das três maiores fornecedoras de chips de memória — SK Hynix, Samsung e Micron — atingiram recordes históricos este ano, enquanto a capacidade de produção está praticamente esgotada. Concorrentes taiwaneses, como Nanya Technology Corporation e Winbond Electronics Corporation, também estão prometendo aumentar a produção. Especialistas alertam que a escassez de memória deve persistir até o próximo ano.
Em uma teleconferência sobre resultados financeiros em janeiro, Elon Musk, CEO da Tesla, mencionou que a oferta limitada de chips de memória pode ser um dos maiores desafios para o crescimento futuro e sugeriu que a empresa considere investir em suas próprias fábricas de chips.

