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Saúde bucal pode aumentar risco de doenças cardíacas, alertam especialistas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Estudos recentes indicam que a saúde bucal está diretamente ligada ao risco de doenças cardíacas. Pesquisas mostram que inflamações nas gengivas, especialmente a periodontite, podem atravessar a corrente sanguínea e afetar órgãos vitais, incluindo o coração.

As bactérias presentes na cavidade oral, quando há inflamação ou infecção periodontal, conseguem entrar na corrente sanguínea e interferir em processos biológicos. Isso pode desencadear reações inflamatórias que prejudicam os vasos sanguíneos. A cardiologista Auristela Ramos, assessora científica da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), explica: “Quando há inflamação nas gengivas ou uma infecção mal tratada, o organismo permanece em estado de alerta. Esse processo inflamatório contínuo pode prejudicar os vasos sanguíneos e favorecer o entupimento das artérias”.

Esse processo inflamatório pode levar à formação de placas de gordura nas paredes dos vasos, conhecido como aterosclerose, que está associado a problemas como infarto e AVC. Assim, uma gengiva sangrando pode se tornar um fator de risco para o sistema cardiovascular.

Além disso, em casos de cáries profundas ou doença periodontal avançada, as bactérias podem entrar na corrente sanguínea e se alojar nas estruturas cardíacas. “Uma vez no sangue, elas podem chegar ao coração e se alojar nas válvulas cardíacas, provocando uma infecção chamada endocardite”, afirma Ramos.

A relação entre saúde bucal e problemas cardíacos não é nova. Em 1989, pesquisadores já haviam identificado que pacientes internados por infarto apresentavam piores condições de saúde bucal. Desde então, estudos têm reforçado essa associação, mostrando que a periodontite é 2,5 vezes mais comum entre pessoas com doença arterial coronariana.

O dentista Frederico Buhatem Medeiros, assessor científico do Departamento de Odontologia da Socesp, destaca que a discussão científica evoluiu. “Hoje o debate não é mais se existe associação entre doença periodontal e problemas cardiovasculares, isso já está bem documentado”, afirma. A questão atual é se a doença gengival é um fator de risco independente ou se aparece junto a outros fatores como tabagismo, diabetes e obesidade.

Especialistas concordam que a saúde bucal não deve ser vista como um território isolado. A cardiologia já considera a saúde bucal nas estratégias de prevenção cardiovascular, pois tratar a periodontite pode trazer benefícios sistêmicos. Estudos indicam que cuidar da saúde bucal reduz marcadores inflamatórios no sangue e melhora a função dos vasos sanguíneos.

Medidas simples, como escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia, usar fio dental e visitar o dentista regularmente, são fundamentais para garantir benefícios que vão além da estética.

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