Uma moradora de Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais, tornou-se a primeira mineira e a terceira brasileira a receber um tratamento experimental chamado polilaminina. Thamires Fernandes, de 35 anos, sofreu um acidente que a deixou paraplégica em dezembro de 2025 e, após entrar com ação judicial, recebeu o medicamento no dia 26 de dezembro.
A polilaminina é uma rede de proteínas criada em laboratório a partir da laminina, uma proteína naturalmente produzida pelo corpo humano. Apesar de ainda não ter passado por testes clínicos da Anvisa e não ser um medicamento disponível ao público, o tratamento gera expectativa em pessoas com paraplegia e tetraplegia em vários países. Thamires descreve a experiência como “um sinal de esperança”.
Thamires ficou paraplégica após um acidente na BR-116, em Teófilo Otoni. Ela estava voltando para casa após um evento quando o carro em que estava capotou. O acidente resultou em fraturas nas costelas, na escápula e uma grave lesão na coluna, que resultou na compressão da medula espinhal entre as vértebras T10 e T11.
Durante a internação, sua família buscou informações sobre tratamentos alternativos e souberam da polilaminina através de um chefe de trabalho do pai de Thamires. Após obter a autorização judicial, a aplicação do medicamento foi realizada no Hospital Regional de Governador Valadares.
A polilaminina atua como um “andaime” biológico que estimula o crescimento e a conexão entre neurônios. Embora os pesquisadores tenham observado potencial em modelos de laboratório, não existem testes clínicos concluídos. Thamires foi informada sobre as incertezas do tratamento antes da aplicação.
Após a aplicação, Thamires enfrentou complicações, incluindo pneumonia, e recebeu alta no dia 9 de janeiro. Desde então, ela iniciou uma rotina intensa de fisioterapia, com sessões cinco vezes por semana. Thamires começou a perceber algumas mudanças, como a sensação de estímulos e pequenos movimentos durante a fisioterapia.
“Foi muito pouco, mas para mim já é um ganho”, disse Thamires, que se emocionou ao sentir a primeira sensibilidade. Apesar das incertezas sobre a recuperação, ela mantém uma perspectiva positiva e deseja mostrar que a vida continua, mesmo após a lesão. “A polilaminina representa um sinal de esperança”, concluiu.


