Centenas de milhares de viajantes estão retidos no Oriente Médio devido aos recentes ataques dos EUA e de Israel ao Irã, seguidos de retaliações de Teerã. O bloqueio do espaço aéreo sobre a Península Arábica impede a saída de turistas e viajantes a negócios. Além disso, as perturbações no tráfego marítimo do Estreito de Ormuz impactaram navios de cruzeiro no Golfo Pérsico.
Hans Hopfinger, professor de Geografia Cultural na Universidade Católica de Eichstätt-Ingolstadt, afirmou: “A crise atual é um choque absoluto para os países afetados na região”. Ele destacou que alguns países do Golfo se promoveram como refúgios turísticos seguros, mencionando que “em Dubai ou em outros emirados, nunca houve ataques terroristas como em outros centros turísticos árabes”.
O Oriente Médio se destacou como uma das regiões turísticas que mais crescem no mundo, com quase 100 milhões de viajantes internacionais em 2025, um aumento de 39% em relação ao período pré-pandemia. O Aeroporto Internacional de Dubai, que se tornou um hub global, atendeu mais de 95 milhões de passageiros internacionais em 2025, um recorde mundial.
O sucesso do turismo na região é atribuído ao planejamento estratégico, segundo Hopfinger. “Eles reconheceram que era preciso deixar de lado a dependência do petróleo e do gás”. Dubai, por exemplo, desenvolveu um plano diretor para promover o turismo de compras, eventos esportivos e turismo cultural.
A Arábia Saudita, que começou a conceder vistos de turista em 2019, busca atrair 70 milhões de turistas por ano até 2030, com investimentos bilionários em megaprojetos. A diversidade de atrações, que vão de templos históricos a megacidades modernas, tem atraído visitantes.
Entretanto, a guerra no Irã representa um revés significativo para os esforços de promoção do turismo na região. A insegurança e os alertas de viagem podem resultar em alterações e cancelamentos de reservas. Martin Lohmann, da Associação de Pesquisa sobre Férias e Viagens, afirmou que a recuperação do turismo dependerá da normalização da situação e da manutenção da infraestrutura.
As agências de viagens estão trabalhando para transportar os turistas retidos de volta para casa. Alguns voos já conseguiram decolar, mas a instabilidade da situação pode atrasar o retorno de todos os viajantes.


