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Ameaças e fraudes: o histórico de ‘Sicário’, aliado de Daniel Vorcaro

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de ‘Sicário’, era apontado pela polícia como um operador violento e ligado a fraudes financeiras. Ele foi preso na operação Compliance Zero, que investiga irregularidades bilionárias relacionadas ao Banco Master. Mourão morreu após tentar suicídio dentro da cela da Polícia Federal em Belo Horizonte.

As investigações o relacionam ao banqueiro Daniel Vorcaro e a um grupo que monitorava e intimidava adversários. Embora não tenha respondido formalmente por homicídios, Mourão já era conhecido das autoridades há mais de duas décadas, com passagens por crimes como estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça.

Em 2021, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou Mourão e outras dez pessoas por participação em um esquema de fraude financeira que teria lesado milhares de investidores. A promotora de Justiça Janaina de Andrade Dauro afirmou:

““O Luís Felipe e outros dez denunciados praticaram diversos crimes contra a economia popular, anunciando falsamente investimentos vultosos de retorno exorbitante, além do crime conhecido como crime de pirâmide.””

Durante a investigação, a Polícia Militar de Minas Gerais analisou o conteúdo de um celular atribuído a Mourão, onde mensagens trocadas com um dos denunciados discutiam valores relacionados a brilhantes e rubis, terminando com tom ameaçador. Um ex-sócio de Mourão relatou ter recebido uma ligação com ameaça após conversar com autoridades sobre crimes financeiros, onde Mourão teria dito que “a batata dele estava assando”.

As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master revelaram que Vorcaro liderava um grupo informal chamado “A Turma”. Mourão tinha a função de monitorar adversários do banqueiro e promover agressões físicas. Mensagens entre Mourão e Vorcaro foram divulgadas em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, onde Vorcaro expressou desejo de agredir o jornalista Lauro Jardim, afirmando que seria preciso colocar pessoas para segui-lo e cogitando simular um assalto.

Após sua prisão na operação Compliance Zero, Mourão tentou suicídio na cela da Polícia Federal. Imagens de segurança mostraram que ele tentou se enforcar duas vezes antes de ser socorrido. A Polícia Federal abrirá um procedimento interno para apurar as circunstâncias do caso. Mourão foi levado ao Hospital Estadual João XXIII, onde teve morte cerebral confirmada dois dias depois.

O banqueiro Daniel Vorcaro, também preso na mesma operação, tem conexões com figuras da política nacional. Em 2024, ele participou de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ofereceu um voo de helicóptero ao senador Ciro Nogueira e a Antônio Rueda, presidente do União Brasil. Nogueira afirmou que não utilizou o helicóptero, enquanto a assessoria de Rueda não comentou.

Antes das investigações do Banco Master, o Ministério Público de Minas Gerais já apurava um esquema envolvendo Mourão, que foi sócio da empresa Maximus Digital Fomento Mercantil Ltda., prometendo rendimentos muito acima do mercado. Segundo a promotora, os contratos eram pouco claros, levando investidores a relatar dificuldades para resgatar valores aplicados. Advogados afirmam que o grupo atraiu vítimas de várias regiões do país, incluindo pessoas de baixa renda que contraíram empréstimos para investir.

Entre junho de 2018 e julho de 2021, Mourão movimentou cerca de R$ 28 milhões em contas ligadas a empresas de fachada. A investigação também aponta que a organização obteve R$ 62 milhões em empréstimos usando imóveis superavaliados como garantia. Os imóveis pertenciam a uma empresa que teve como acionista Natália Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro. Os irmãos Vorcaro não foram denunciados na ação do Ministério Público de Minas Gerais.

No ano passado, durante a fase de instrução do processo sobre as fraudes financeiras, Mourão compareceu a uma audiência, mas optou por permanecer em silêncio. Seu advogado afirmou que aguardava acesso aos autos do processo e que não teve tempo de discutir as acusações devido ao desfecho do caso. O julgamento dos outros dez réus denunciados ainda não tem previsão.

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