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Economia

Guerra no Oriente Médio revela vulnerabilidades do Brasil em refino e fertilizantes

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de março de 2026 03:39
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A guerra no Oriente Médio, ao interromper o fluxo comercial das petroleiras pelo Estreito de Ormuz, expõe as economias que dependem do petróleo que passa por essa região. O impacto imediato foi observado no mercado financeiro, onde a cotação do barril Brent disparou 27,2% na primeira semana do conflito entre Estados Unidos e Israel com o Irã, fechando a US$ 92,69 na sexta-feira (6).

Especialistas alertam que todos os importadores de petróleo e derivados estão vulneráveis ao conflito, incluindo o Brasil. Embora o país seja um dos 10 maiores produtores de petróleo do mundo, com a commodity como sua maior exportação, sua capacidade de refino não atende à demanda nacional. O Brasil possui 18 refinarias, com uma capacidade instalada de cerca de 2,4 milhões de barris por dia (bpd), mas processa apenas 2 milhões de bpd, segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

“As refinarias no Brasil atendem aproximadamente 70% da demanda de diesel e 85% da demanda de gasolina. Portanto, o Brasil não é autossuficiente e precisa importar 30% da demanda de diesel e 10% a 15% da demanda de gasolina”, afirmou Sergio Araujo, presidente-executivo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, destacou que “há, portanto, uma vulnerabilidade”. Desde o início do conflito, os spreads de refino do diesel e da gasolina subiram 30% e 29%, respectivamente. Os preços de paridade de importação e exportação (IPP) da gasolina e do diesel aumentaram, ficando 18% e 23% acima dos preços domésticos, conforme análise da equipe O&G do Itaú BBA.

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A Petrobras, que representa 75% da capacidade de refino do Brasil, com 1,8 milhão bpd, planeja investir US$ 15,8 bilhões até 2030 em refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes. A expectativa é aumentar a capacidade de processamento para 2,1 milhões bpd e melhorar a qualidade dos combustíveis.

Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), ressaltou que o Brasil é vulnerável em relação aos derivados, especialmente diesel, do qual importa entre 25% e 30%. Ele alertou que a falta de investimentos em refino nos últimos anos agrava a situação. Eberaldo de Almeida Neto, ex-diretor da Petrobras, destacou que a maioria dos combustíveis importados pelo Brasil não passa diretamente pelo Estreito de Ormuz, mas a dependência de países como a Índia, que importa petróleo da região, pode afetar o Brasil.

A Petrobras afirmou que seus fluxos de importação são majoritariamente fora da região de crise e que não há risco de interrupção das importações e exportações no momento. A empresa também destacou sua nova política de preços, que visa proteger o mercado de volatilidades externas.

Além do petróleo, o Brasil enfrenta vulnerabilidades em fertilizantes. Em 2025, o país importou US$ 66,8 milhões em fertilizantes do Irã, com um aumento significativo em comparação ao ano anterior. O Brasil produz apenas 15% do consumo de fertilizantes e importa 80% do que consome, com uma dependência de 30% de uréia do Irã.

Os especialistas sugerem que o Brasil deve avançar em quatro áreas para melhorar as condições de refino e produção de fertilizantes, incluindo a necessidade de subsídios para gás natural e políticas que incentivem a compra de gás a preços mais baixos. A privatização de refinarias e leilões também são apontados como formas de atrair investimentos.

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