A Polícia Civil investiga duas mortes relatadas por famílias após exames de colonoscopia realizados em uma clínica particular de Cerejeiras, Rondônia. Os casos envolvem pacientes que, segundo familiares, tiveram complicações após os procedimentos.
O primeiro caso divulgado foi o de Thyago da Silva Severino, de 34 anos, que faleceu no dia 28 de fevereiro, um dia após passar por uma colonoscopia. Após a repercussão do caso, a família de Alzery Geraldo de Souza também procurou a polícia, denunciando que ele morreu dias depois de realizar exames na mesma clínica, em setembro de 2025.
Thyago realizava acompanhamento médico regular devido à síndrome nefrótica, que exige monitoramento frequente. Durante a colonoscopia realizada no dia 27 de fevereiro, houve uma perfuração no intestino, e o procedimento foi interrompido pelo médico responsável. Após o exame, Thyago foi levado ao Hospital São Lucas, em Cerejeiras, e depois transferido para o Hospital Regional de Vilhena, onde passou por cirurgia e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu e faleceu no dia seguinte.
A família de Alzery relata que, logo após os exames, ele começou a sentir fortes dores na barriga ainda na clínica. Segundo os parentes, ele precisou de ajuda para se vestir devido à intensidade da dor. O médico prescreveu apenas um remédio para dor e liberou o paciente. Com o agravamento do quadro, Alzery foi levado ao hospital de Cerejeiras e depois transferido para Vilhena, onde uma tomografia revelou perfuração no intestino, necessitando de cirurgia de emergência. Após o procedimento, Alzery entrou em coma e ficou internado por dez dias na UTI, vindo a falecer em 30 de setembro de 2025.
As famílias afirmam que os exames foram realizados na mesma clínica e pelo mesmo médico. Até o momento, não há confirmação oficial de relação entre as duas mortes. A família de Thyago registrou denúncia para investigar as circunstâncias do procedimento e possíveis responsabilidades. O irmão de Thyago declarou: “A gente não tem nenhuma intenção de vingança. Queremos esclarecimento. Se ficar comprovado que foi algo inevitável, vamos ficar em paz. Mas, se houver culpa do médico, também queremos responsabilização.”
A família de Alzery também registrou boletim de ocorrência e pede que o caso seja apurado. A Polícia Civil informou que instaurou inquérito para investigar o caso e requisitou o prontuário médico completo de um dos pacientes. A investigação deve apurar as circunstâncias dos procedimentos e se houve irregularidade no atendimento.
O g1 entrou em contato com o médico responsável pelos exames e com a clínica citada pelas famílias, mas não recebeu resposta até a última atualização das reportagens. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Rondônia (Cremero) informou que tomou conhecimento do caso e que as informações serão analisadas pelos setores responsáveis, ressaltando que possíveis investigações são sigilosas e, portanto, não pode comentar detalhes neste momento.


