Moradores de Manduri, cidade com pouco mais de 10 mil habitantes, enfrentam dificuldades para conseguir atendimento odontológico na rede pública. A fila de espera ultrapassa dois meses.
Um dentista da cidade, que preferiu não se identificar, relatou que muitos pacientes buscam atendimento em clínicas particulares devido à demora. No entanto, nem todos têm condições financeiras para arcar com os custos dos exames e procedimentos necessários.
“”Cheguei a gravar uma paciente que passou no meu consultório em uma situação desse tipo. Mas não é apenas uma paciente, isso acontece com frequência. Depois que tive a iniciativa de gravar, fiz um abaixo-assinado, protocolei uma denúncia no Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CRO-SP) e pretendo levar ao Ministério Público. A prefeitura está ciente de tudo isso, mas nada é feito”, disse o dentista.”
Uma lei complementar sancionada em 2022 pela Prefeitura de Manduri prevê cinco vagas para dentistas na rede pública. Contudo, segundo o denunciante, apenas dois profissionais estão em atividade, e um deles não realiza extrações dentárias devido a um problema nas mãos.
“Existem três postos de saúde na cidade, sendo um deles em um distrito afastado. Por conta do médico que alega o problema nas mãos e se recusa a fazer extrações, estão fazendo o outro médico revezar os atendimentos nos três postos, mesmo tendo uma carga horária de 20 horas semanais. O outro dentista continua recebendo o salário integral, mesmo sem fazer uma função básica da profissão”, afirmou.
Uma paciente que foi gravada pelo dentista procurou atendimento particular após perceber um inchaço anormal na bochecha. “Estava inchada há três dias e, na verdade, ainda está. Estou tomando antibiótico para aliviar a dor. Procurei o convênio particular depois de ter chegado no posto de saúde de Manduri às 9h e ter saído só 14h, ou seja, cinco horas de espera”, lamentou.
Ao chegar ao consultório, a mulher foi diagnosticada com um abscesso dentário, infecção grave causada pela falta de tratamento em um dente com canal. “É uma demora imensa para ser atendido. Eu marquei um exame que a fila de espera ultrapassava dois meses, e não era para ser assim, visto o meu diagnóstico”, contou.
Outra paciente também relatou dificuldades. “Quando cheguei em um posto de saúde, eles pediram para eu ir a outro. Lá, eles só fizeram uma avaliação básica e me mandaram marcar retorno, o que demora muito. O médico particular me pediu para fazer um raio-X, só que custa, em média, R$ 110 e eu não tenho dinheiro para isso”, disse.
Após passar em um consultório particular, a paciente soube que precisaria fazer a extração de dois dentes do siso. Desde então, aguarda por uma vaga de atendimento no posto de saúde próximo à sua casa. “Se você chegar lá em uma situação de emergência, com dor ou qualquer coisa envolvendo crianças, eles mandam direto para a policlínica. No posto, eles não atendem se não tiver agendamento. Tenho que ficar esperando um, dois meses”, afirmou.
A Prefeitura de Manduri, em resposta, afirmou que está ciente da situação e tem tomado medidas para diminuir o tempo de espera. Sobre o número de dentistas, a prefeitura confirmou que há três profissionais atuando na rede pública, mas não informou um prazo para a resolução dos problemas.
O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) informou que recebeu uma denúncia anônima sobre a situação da rede odontológica na cidade e que a denúncia está sendo investigada. Caso os problemas sejam confirmados, o Conselho tomará medidas administrativas disciplinares contra os responsáveis.


