A Ricco Transportes, que opera o transporte público em Rio Branco, alega um prejuízo de R$ 8 milhões e defende a abertura de uma nova licitação para o sistema. O proprietário da empresa, Ewerson Dias, afirmou que a situação do transporte público na capital é crítica, com ônibus cheios e veículos apresentando falhas mecânicas.
Desde 2020, o transporte público enfrenta problemas, e a Ricco teve seu contrato emergencial renovado por mais seis meses em 20 de fevereiro. Uma audiência pública foi solicitada pela empresa para a última sexta-feira (6), mas foi cancelada devido a problemas de saúde do proprietário.
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, deve anunciar nesta segunda-feira (9), às 8h30, o lançamento do Edital de Concorrência Pública nº 005/2026, que visa a concessão e operacionalização do transporte coletivo da cidade. Ewerson Dias declarou que a Ricco acumula prejuízos operando o sistema e que os números devem ser apresentados na declaração de imposto de renda da empresa. “Se pegar o que recebemos e o que gastamos, em 2024 foram cerca de R$ 7 milhões de prejuízo. Em 2025 fechamos em pouco mais de R$ 8 milhões”, disse.
A Ricco opera o transporte coletivo da capital há quatro anos por meio de contratos emergenciais. A empresa assumiu 31 das 42 linhas em fevereiro de 2022, após o abandono das rotas pela Empresa Auto Aviação Floresta. Atualmente, a Ricco opera com cerca de 50 linhas e aproximadamente 100 veículos, mas enfrenta baixa demanda em algumas rotas, o que impacta financeiramente. “Tem linha que transporta cerca de 1,8 mil passageiros por mês, então não paga o serviço prestado”, afirmou o empresário.
Outro ponto destacado por Ewerson Dias é o número de gratuidades no sistema. Quase metade dos passageiros utiliza algum tipo de benefício, como gratuidade ou meia-passagem estudantil. A tarifa na capital é de R$ 3,50, enquanto os estudantes pagam apenas R$ 1. “Novos investimentos dependem da licitação para definir quem vai operar o transporte público na capital. Hoje temos mais de R$ 40 milhões investidos. Ninguém vai comprar 100 ônibus novos, algo em torno de R$ 95 milhões, sem saber se vai continuar operando”, explicou.
A Prefeitura de Rio Branco repassa um subsídio à empresa, atualmente de R$ 3,63 por passageiro transportado, permitindo que a tarifa permaneça em R$ 3,50. O montante repassado pela prefeitura em 2021, que somou mais de R$ 2,4 milhões, foi utilizado apenas para pagar parte dos salários atrasados de 2020.
Usuários do transporte público relatam insatisfação com a situação. A assistente escolar Eremita Gadelha comentou sobre a condição dos veículos e a demora nas viagens: “É péssimo. Os ônibus são quebrados e demoram muito.” O autônomo Cleildon Henrique afirmou que a situação está mais difícil do que antes. “A vida de quem depende do ônibus é mais sofrida”, disse.
Francisco Nascimento, carpinteiro, destacou que a espera por ônibus para regiões rurais é longa, variando entre 40 a 45 minutos. O aposentado Francisco de Sousa, que mora no bairro Jequitibá, relatou que a espera média é de 50 minutos, com apenas um ônibus disponível na região.

