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Projeção de inflação estaciona e Selic volta a subir no Boletim Focus

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, mostra que o mercado parou de apostar na queda da inflação deste ano. Pela segunda semana consecutiva, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se manteve em 3,91%, interrompendo uma sequência de sete semanas de cortes nas projeções de inflação para 2026.

Além disso, os agentes financeiros ouvidos pelo BC elevaram a expectativa para 2027, passando de 3,79% para 3,80%. Essas projeções estão acima do centro da meta de inflação de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, o que dificulta o trabalho do Banco Central em reduzir a taxa básica de juros, a Selic.

A estimativa para a Selic voltou a subir nesta edição do Focus, passando de 12% para 12,13%. Embora os analistas considerem certo o início dos cortes da Selic na reunião programada para os dias 17 e 18 de março, a piora da conjuntura internacional gera preocupações sobre um possível adiamento.

O agravamento da guerra entre os Estados Unidos e o Irã resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, onde transita 20% da produção mundial de petróleo. Como consequência, os preços da commodity dispararam, com o barril do tipo Brent sendo negociado acima dos 100 dólares. Essa situação é reflexo da decisão de grandes produtores, como Kuwait, Iraque e Irã, de reduzir o fornecimento.

Com a escalada dos preços do petróleo, analistas questionam por quanto tempo a Petrobras conseguirá manter os preços dos combustíveis no mercado interno. A estatal geralmente aguarda a estabilização das cotações para avaliar a necessidade de ajustes, mas os importadores já pressionam a empresa devido à defasagem entre os preços praticados no Brasil e a cotação internacional, especialmente em relação ao óleo diesel.

A expectativa de que o dólar encerre o ano em 5,41 reais, conforme o Focus desta semana, não deve aliviar a situação da Petrobras. Esta é a terceira semana consecutiva em que os analistas consultados pelo BC reduzem as previsões para o câmbio.

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