Ad imageAd image

Desembargador do TJSP esteve no apartamento da PM encontrada morta

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O inquérito policial que investiga a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, revelou que o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do TJSP, esteve no apartamento onde a policial foi encontrada morta, no centro de São Paulo, no dia 18 de fevereiro.

De acordo com o registro, Cogan recebeu uma ligação do marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, e compareceu ao local a pedido do policial militar. Neto declarou à polícia que o magistrado é um amigo pessoal e, por isso, o acionou.

No apartamento, o desembargador entrou junto com o tenente-coronel. Após encontrar Gisele caída no chão, com intenso sangramento na cabeça e segurando uma arma de fogo, Neto relatou que imediatamente abriu a porta do apartamento, acionou o resgate e a Polícia Militar, e, em seguida, telefonou para Cogan.

Além de Cogan, o inquérito também aponta a presença do coronel Gonzaga, do Comando de Policiamento de Área. O tenente-coronel Neto retornou ao apartamento para tomar banho, mesmo após ser orientado a não fazê-lo, segundo o boletim de ocorrência. Ele foi encaminhado ao Hospital das Clínicas para atendimento psicológico, mas antes voltou para a residência acompanhado do desembargador.

Neto afirmou que sabia que ficaria longe por um longo período e, por isso, optou por tomar banho e trocar de roupa. Na versão inicial à Polícia Militar, ele relatou que estava tomando banho quando ouviu o estampido de uma arma de fogo e, posteriormente, encontrou Gisele caída no chão.

““Eventuais esclarecimentos, se necessários, serão dados à Polícia Judiciária”, declarou o desembargador Marco Antônio Cogan.”

O inquérito, ao qual a reportagem teve acesso, inclui depoimentos de policiais militares presentes no dia do ocorrido, que confirmaram a presença do desembargador no apartamento após a morte da soldado. Uma testemunha afirmou que o tenente-coronel anunciou que iria tomar banho, ignorando a orientação dos policiais.

Outra testemunha relatou que, ao retornar ao apartamento, ficou ao lado do tenente-coronel, que estava acompanhado do desembargador, e que o magistrado não explicou sua presença. A testemunha também notou que o tenente-coronel estava aparentemente seco e não havia toalhas no local, contradizendo a versão inicial apresentada por ele.

O corpo da policial Gisele Alves Santana foi exumado no dia 6 de março para a realização de novas perícias, conforme confirmado pela Polícia Civil. A Secretaria de Segurança Pública informou que aguarda os resultados dos laudos periciais para dar continuidade às investigações.

A defesa da família de Gisele, representada pelo advogado Dr. Miguel Silva, declarou que os familiares estão cientes da exumação e que as perícias já foram realizadas. O escritório de advocacia que defende o tenente-coronel Neto afirmou que ele não é investigado e tem colaborado com as autoridades.

A Polícia Civil registrou inicialmente a ocorrência como suicídio consumado, mas alterou a natureza do registro para morte suspeita para permitir uma apuração detalhada. O oficial citado no caso está afastado de suas funções a pedido, e a Corregedoria da Polícia Militar acompanha as investigações.

Compartilhe esta notícia