No mês dedicado às mulheres, dados revelam que elas lideram a geração de empregos formais no Pará. Em 2025, as trabalhadoras foram responsáveis por cerca de 60% do saldo de postos criados no estado, apesar de ainda enfrentarem desigualdade salarial, preconceito e a sobrecarga da dupla jornada.
Especialistas observam que as mulheres têm buscado mais educação e capacitação, não apenas para avançar na carreira, mas para garantir uma vida digna para si e suas famílias. Profissões historicamente dominadas por homens, como arbitragem de futebol, segurança pública e tecnologia da informação, estão se tornando mais inclusivas.
A árbitra Maiara, com 10 anos de experiência, afirma: “não é sobre gênero, é sobre competência”. Ela já apitou jogos importantes e enfrentou comentários machistas ao longo de sua carreira. Na segurança pública, mulheres ocupam cada vez mais posições de liderança na Polícia Civil do Pará, servindo como referências para novas gerações.
O empreendedorismo tem sido uma alternativa para muitas mulheres que enfrentam desemprego ou precisam conciliar carreira e maternidade. Vanessa, após perder o emprego, começou a fazer bolos em casa e, com o tempo, profissionalizou seu negócio, que hoje emprega majoritariamente mulheres. Raimunda, sua auxiliar, também se destaca no ramo, produzindo bolos caseiros para complementar a renda familiar.
Além disso, mais da metade dos 80 milhões de domicílios no Brasil são chefiados por mulheres, que acumulam a responsabilidade de gerar renda e cuidar da família. Muitas enfrentam a dupla jornada, o que torna o apoio no trabalho e em casa ainda mais crucial.
A desigualdade salarial continua a ser um problema significativo, com mulheres recebendo, em média, de 20% a 21% menos que homens em cargos similares no setor privado. Essa diferença é resultado de um modelo social que atribui mais horas de trabalho doméstico às mulheres e a menor presença em cargos de alta liderança.
Além disso, mesmo quando ocupam posições de comando, muitas mulheres não recebem salários ou benefícios equivalentes aos de seus colegas homens. A dupla jornada também é uma barreira, pois muitas mulheres são responsáveis pela casa e pelos filhos, limitando seu tempo para estudo e crescimento profissional.
Analistas de recursos humanos afirmam que, apesar dos avanços na participação feminina, ainda há um longo caminho até um mercado de trabalho verdadeiramente justo e inclusivo. Medidas como programas de valorização, metas de diversidade e investimento em formação de lideranças são essenciais para reduzir as desigualdades.


