O presidente Emmanuel Macron afirmou nesta segunda-feira, 9, que a França e seus aliados estão organizando uma missão para reabrir o Estreito de Ormuz. A ação pode envolver mais a Europa no conflito no Oriente Médio, que já despachou assistência militar para nações do Golfo.
Durante visita ao Chipre, Macron declarou que a operação terá caráter “puramente defensivo”. Ele não forneceu detalhes, mas explicou que a missão visa escoltar navios “após o fim da fase mais tensa do conflito” para garantir o fluxo de petróleo e gás.
A declaração foi feita em coletiva de imprensa conjunta com o presidente cipriota, Nikos Christodoulides, e o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis. Na semana passada, Macron coordenou com a Grécia e a Itália o envio de tropas para Chipre e o Mediterrâneo Oriental.
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que controla a rota por onde passam 20% do petróleo e gás comercializados no mundo, pressionou os mercados internacionais e fez o preço do barril disparar para mais de US$ 100 pela primeira vez em quatro anos. Dados da consultoria Kpler indicam que o tráfego de petroleiros pela rota caiu 90% desde o início do conflito.
As bolsas de valores na Ásia, no Reino Unido e na Europa continental abriram em queda devido a preocupações com uma crise de abastecimento. O petróleo Brent subiu a um pico de 29%, atingindo US$ 119,50 o barril, mas recuou para US$ 106,73 após o G7 anunciar uma reunião sobre a liberação de reservas emergenciais de combustível.
Além do fechamento do Estreito de Ormuz, os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel e a campanha retaliatória iraniana afetaram refinarias no Oriente Médio. Pelo menos cinco instalações de produção de petróleo em Teerã foram atingidas por ataques. A companhia petrolífera nacional do Kuwait anunciou um corte preventivo na produção, enquanto o Bahrein limitou exportações após uma explosão em sua maior refinaria.
Embora o regime iraniano tenha negado que as monarquias sejam alvo, autoridades árabes afirmaram que os ataques a instalações petrolíferas visam aumentar os preços globais de energia. Países europeus, relutantes em se envolver diretamente, estão sendo arrastados para o conflito após ataques ao Chipre e às monarquias do Golfo.
Macron já havia ordenado o deslocamento do porta-aviões Charles de Gaulle para o Mediterrâneo para apoiar o Chipre. Ele também despachou caças Rafale e sistemas de defesa aérea para proteger ativos militares de aliados. França, Reino Unido e Alemanha afirmaram estar preparadas para tomar medidas defensivas contra o Irã.


