O crédito rural empresarial apresentou um desempenho positivo nos primeiros oito meses do Plano Safra 2025/2026. Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, os recursos totais contratados somaram R$ 354,4 bilhões, representando um crescimento de 7% em relação aos R$ 330,8 bilhões do mesmo período da safra 2024/2025.
Os dados foram divulgados no Boletim de Crédito Rural pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central. Os recursos efetivamente concedidos totalizaram R$ 342,9 bilhões, com um crescimento de 4%.
Esse saldo positivo foi impulsionado principalmente pela expansão das Cédulas de Produto Rural (CPR) e pelo avanço da industrialização, que compensaram as retrações nas linhas tradicionais de custeio e investimento. As contratações via CPR atingiram R$ 163,4 bilhões, com um crescimento de 39% em relação à safra anterior.
Ao somar CPR e custeio tradicional, o volume total destinado ao custeio da safra alcançou R$ 269,8 bilhões, uma alta de 12% em relação à safra 2024/2025. A industrialização também se destacou, com um crescimento de 56% nas contratações, totalizando R$ 22,2 bilhões, o maior crescimento entre todas as finalidades.
Nas concessões, o segmento de industrialização avançou 51%, chegando a R$ 21,5 bilhões. No entanto, as linhas tradicionais de crédito registraram queda. O custeio contratado recuou 13%, para R$ 106,4 bilhões, enquanto os recursos concedidos caíram 16%, totalizando R$ 103,4 bilhões.
O investimento apresentou uma retração ainda mais acentuada, com uma queda de 20% nas contratações, que somaram R$ 39,5 bilhões, e de 33% nas concessões, que chegaram a R$ 33,0 bilhões. A comercialização também recuou, com uma queda de 15% nas contratações (R$ 22,9 bilhões) e de 19% nas concessões (R$ 21,8 bilhões).
De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, o boletim indica que o panorama dos investimentos se manteve inalterado, com retração de 20%, refletindo a cautela do setor diante das atuais taxas de juros. A expectativa é de uma redução da taxa Selic em cerca de dois pontos percentuais até o fim de 2026.
Os principais programas de investimento acumularam recuos em relação à safra 2024/2025. O Moderfrota liderou as quedas, com uma retração de 49%, passando de R$ 6,85 bilhões para R$ 3,48 bilhões. O Proirriga registrou uma redução de 48%, enquanto o Inovagro recuou 33%. O Pronamp, voltado ao médio produtor, teve uma queda de 34%, passando de R$ 5,49 bilhões para R$ 3,65 bilhões. O Prodecoop foi o programa com menor variação negativa, com uma redução de 3%.


