O ministro das Finanças francês, Roland Lescure, anunciou nesta segunda-feira, 9, que o G7 decidiu não liberar reservas emergenciais de petróleo. A decisão foi tomada após uma reunião convocada às pressas entre os ministros das Finanças do grupo, que reúne as sete maiores economias do mundo.
A guerra no Oriente Médio afetou refinarias, desestabilizou cadeias de produção e provocou uma disparada no preço do barril, que ultrapassou os US$ 100 pela primeira vez em quatro anos. “Ainda não chegamos a essa decisão”, afirmou Lescure.
Em uma declaração conjunta, os ministros do G7 afirmaram que estão prontos para apoiar as redes globais de energia, mas que “por enquanto não” recorreram à liberação dos estoques de petróleo. “Estamos prontos para tomar as medidas necessárias, inclusive para apoiar o fornecimento global de energia, como a liberação de reservas”, diz o texto, sem indicar ações concretas.
Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), participou da reunião e afirmou que todas as opções foram discutidas, “incluindo a disponibilização das reservas emergenciais de petróleo” geridas pela agência ligada à OCDE e seus 32 membros.
Segundo o Financial Times, os Estados Unidos e outros três países do G7 defendem a liberação de 300 a 400 milhões de barris, o que representa entre 25% e 35% dos 1,2 bilhão de barris em reserva. O sistema de estoque foi criado em 1974, após o primeiro choque do petróleo.
A grave interrupção no fornecimento de energia da região ameaça aumentar os preços para consumidores e empresas em todo o mundo. O aumento da inflação pode levar a menos cortes nas taxas de juros pelos bancos centrais. As bolsas de valores na Ásia, no Reino Unido e na Europa abriram em queda devido às preocupações com a crise de abastecimento provocada pela guerra, que começou há dez dias com ataques americanos e israelenses ao Irã.
O petróleo Brent, referência internacional, subiu a um pico de 29%, atingindo US$ 119,50 o barril, mas depois recuou para US$ 106,73.
Os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel, juntamente com a campanha retaliatória iraniana, afetaram refinarias no Oriente Médio e estrangularam exportações. Pelo menos cinco instalações de produção de petróleo em Teerã e arredores foram atingidas por ataques.
A companhia petrolífera nacional do Kuwait anunciou um corte preventivo na produção em resposta aos ataques com drones, enquanto o Bahrein limitou exportações após sua maior refinaria sofrer uma explosão.
Embora o regime iraniano tenha negado que as monarquias árabes sejam seus alvos, autoridades árabes afirmaram que os ataques a instalações petrolíferas visam aumentar os preços globais de energia para pressionar os Estados Unidos e Israel a interromperem o conflito.
Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que controla a rota por onde passam 20% do petróleo e gás comercializados no mundo, colocou pressão sobre os mercados internacionais. Dados da consultoria Kpler indicam que o tráfego de petroleiros pela rota vital caiu 90% desde o início do conflito.


