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Governo cria maior parque nacional marinho do Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O governo brasileiro anunciou a criação do Parque Nacional do Albardão, no extremo sul do país, em um importante passo para a proteção marinha. O decreto foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última quinta-feira, 5 de março de 2026, e publicado no Diário da União no dia seguinte.

O parque abrange uma área de 1.004.480 hectares no litoral do município de Santa Vitória do Palmar, tornando-se o maior parque marinho do Brasil. Juntamente com o parque, foi criada a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, com cerca de 56 mil hectares, formando um mosaico de conservação para proteger um dos trechos mais ricos e vulneráveis do Atlântico Sul.

A criação do parque visa combater a pesca ilegal e o número alarmante de animais feridos e mortos nas praias da região. Somente neste ano, 400 tartarugas marinhas e 139 toninhas foram encontradas mortas na costa. A toninha, também conhecida como franciscana, é o menor golfinho do Atlântico Sul e está ameaçada de extinção.

As mortes de animais estão frequentemente associadas à pesca industrial, que captura acidentalmente espécies em redes destinadas a outros peixes. O litoral do Albardão é considerado estratégico para a biodiversidade, funcionando como um corredor ecológico que recebe espécies das águas frias da Patagônia e de outras partes do Atlântico Sul.

Durante migrações ou períodos de alimentação, a região abriga baleias-francas, leões-marinhos, lobos-marinhos e diversas espécies de golfinhos. Além disso, tartarugas marinhas, tubarões e raias ameaçados de extinção também fazem parte desse ecossistema.

O parque protege uma variedade de ambientes naturais, incluindo praias extensas, dunas, lagoas costeiras e fundos marinhos arenosos ou rochosos, que sustentam uma cadeia ecológica complexa e servem como áreas de reprodução, alimentação e desenvolvimento para várias espécies de peixes, aves e mamíferos marinhos.

Com a criação do novo parque, atividades potencialmente impactantes terão restrições mais rígidas, com o objetivo de reduzir a pressão da pesca industrial e criar uma zona de refúgio para a fauna marinha, permitindo a recuperação de populações ameaçadas.

A criação do Parque Nacional do Albardão também reforça o compromisso do Brasil em ampliar áreas protegidas no oceano, um objetivo defendido em fóruns internacionais de clima e biodiversidade. A nova unidade de conservação representa uma tentativa de preservar um dos ambientes marinhos mais singulares do país.

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