No último domingo, 8 de março de 2026, um atleta faleceu durante a prova de triathlon Ironman 70.3, realizada em Curitiba.
Segundo a organização do evento, o competidor, cuja identidade não foi divulgada, passou mal durante a etapa de ciclismo, que consiste em um percurso de cerca de 90 km. A equipe de socorro do evento prestou atendimento imediato, mas, apesar dos esforços, o atleta não resistiu e foi encaminhado a um hospital da região.
A competição contou com a participação de aproximadamente 1.400 atletas. O percurso incluiu 1,9 km de natação na Represa do Passaúna, seguido por 90 km de ciclismo entre Araucária e Campo Largo, e finalizou com 21 km de corrida no Parque Barigui.
Embora a causa da morte ainda não tenha sido divulgada, especialistas apontam que episódios como esse podem estar relacionados a problemas de saúde não diagnosticados que afetam o coração e a circulação sanguínea, como arritmias cardíacas.
A cardiologista Maria Emilia Teixeira, da unidade de hipertensão da Universidade Federal de Goiás (UFG), explica que as causas de morte súbita em atletas variam conforme a idade. Em jovens, alterações elétricas do coração são comuns. “Essas arritmias muitas vezes são decorrentes de doenças que a pessoa não sabia que tinha, como algumas cardiopatias estruturais”, afirmou.
Entre os problemas que podem causar morte súbita estão a cardiomiopatia hipertrófica, a displasia arritmogênica do ventrículo direito e as canalopatias, que podem se manifestar durante esforços intensos.
Para atletas acima dos 35 anos, a doença coronariana, que resulta da obstrução das artérias do coração, também é uma preocupação. Teixeira ressalta que mesmo atletas podem desenvolver obstruções coronárias, especialmente se houver histórico familiar.
Esses problemas podem permanecer assintomáticos por anos, e o primeiro sinal pode surgir durante atividades físicas intensas, quando o coração é submetido a uma demanda maior de oxigênio. “Existem arritmias consideradas malignas, como a fibrilação ventricular, que podem levar ao colapso circulatório”, explicou a cardiologista.
A desidratação também é um fator que pode contribuir para complicações durante provas longas, pois a perda de líquidos e sais minerais pode afetar o ritmo cardíaco e a pressão arterial.
Apesar do ocorrido, especialistas enfatizam que provas de triathlon não são, por si só, inseguras. A avaliação médica periódica é recomendada, especialmente para esportes de alta intensidade. Além disso, a prática regular de atividades físicas está associada à redução da mortalidade e dos fatores de risco cardiovascular, enquanto o sedentarismo é um problema de saúde pública significativo.


