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Coordenador do telescópio BINGO na Paraíba nega uso militar após relatório dos EUA

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O coordenador do radiotelescópio BINGO, instalado na Serra do Urubu, no município de Aguiar, na Paraíba, negou que o projeto tenha qualquer finalidade militar. A declaração ocorreu após o Laboratório Conjunto China-Brasil para Radioastronomia e Tecnologia ser mencionado em um relatório de um comitê do Congresso dos Estados Unidos sobre possíveis ferramentas de espionagem da China na América Latina.

Élcio Abdalla, físico e professor da USP (Universidade de São Paulo), afirmou nas redes sociais que a iniciativa tem caráter exclusivamente científico e tecnológico.

““Infelizmente, houve alguns comentários até muito maldosos na imprensa e na imprensa internacional, vindos do Congresso americano, fundamentalmente, dizendo que nosso projeto tem objetivos militares. Isso não podia estar mais longe da realidade”,”

disse.

Abdalla explicou que o projeto BINGO (Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations) foi concebido por pesquisadores brasileiros e envolve uma colaboração internacional voltada à pesquisa em cosmologia e radioastronomia.

““Na verdade, é um projeto científico, fundamentalmente científico e também tecnológico”,”

afirmou.

O laboratório mencionado no relatório integra o projeto BINGO, que visa detectar oscilações acústicas bariônicas (BAO’s) por meio de observação em radiofrequência. Abdalla destacou que a colaboração internacional conta com a participação predominante de instituições brasileiras e chinesas, com apoio técnico da China.

““O protagonista nacional é inequívoco”,”

afirmou.

O professor detalhou que o projeto começou com uma colaboração Brasil-Inglaterra, mas depois passou a ter a participação de outros países, incluindo França, Portugal e Uruguai, até que a China se juntou ao projeto.

““Eu tenho colaborações extensas com a China desde os anos 2000”,”

explicou.

Além da pesquisa, o projeto também prevê o desenvolvimento tecnológico associado às observações do universo. Abdalla ressaltou que o objetivo principal é estudar a cosmologia e investigar a “parte escura do universo”, um dos principais desafios da física contemporânea.

““Esse é um projeto largo que não tem nada a ver com propostas militares. Nós não fazemos projetos militares, seja com a China, seja com outros países”,”

afirmou.

O projeto conta com a participação de instituições como a USP, Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), UFCG (Universidade Federal de Campina Grande) e a UFPB (Universidade Federal da Paraíba), além do apoio do governo da Paraíba. O relatório dos EUA também menciona a Estação Terrestre de Tucano, localizada em Salvador, na Bahia.

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