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Como a Polícia Federal recupera mensagens de celulares em investigações

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Polícia Federal (PF) utiliza equipamentos que acessam dados de celulares, mesmo sem a senha e com os aparelhos desligados. Essas ferramentas são capazes de recuperar mensagens apagadas por aplicativos.

Programas como o israelense Cellebrite e o americano Greykey conseguem acessar arquivos e mensagens em iPhones e dispositivos Android, mesmo quando bloqueados. A preservação do dispositivo é crucial, sendo armazenado em um recipiente que bloqueia ondas eletromagnéticas, conhecido como Gaiola de Faraday.

Wanderson Castilho, perito em segurança digital, explicou que esse recipiente impede que o dono do aparelho apague dados remotamente. “O equipamento fica ligado, mas não consegue se comunicar com o Wi-Fi, com a antena da rede de celular. Não há contato com o mundo exterior, o que é o ideal”, afirmou.

A técnica de extração de dados varia conforme a condição do dispositivo. Se a tela estiver bloqueada, programas como Greykey e Cellebrite tentam descobrir a senha de bloqueio ao se conectarem via cabo USB. Se o aparelho estiver desligado ou danificado, utiliza-se a técnica chip off, que envolve desmontar componentes como o chip de memória para transferir informações.

A licença para usar programas como Greykey e Cellebrite pode custar cerca de US$ 50 mil por ano (R$ 270 mil). A extração de dados deve ser feita rapidamente, pois alguns registros ficam em uma memória temporária do aparelho, como a senha de bloqueio da tela.

Castilho destacou que, com algumas ferramentas, é possível encontrar e quebrar essa senha de forma mais fácil. “Se desligar e ligar, fica mais difícil de quebrar”. Alguns celulares reiniciam automaticamente para evitar a extração da senha.

A empresa que desenvolveu o Greykey informou que uma atualização no iPhone faz com que o aparelho se desligue e ligue automaticamente se estiver bloqueado por mais de três dias.

A técnica chip off é uma alternativa para acessar dados mesmo com o celular desligado. Castilho explicou: “O celular está desligado daquela forma como vemos a tela, mas você precisa mandar pulsos elétricos para fazer a extração”.

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