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Economia

Aumento do preço do petróleo pode impactar combustíveis no Brasil

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de março de 2026 15:45
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o preço do petróleo ultrapassou os US$ 100 por barril, atingindo o maior nível desde fevereiro de 2022. A alta é impulsionada pela intensificação do conflito e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, uma importante rota de escoamento de petróleo, que gera temores sobre a oferta global da commodity.

No Brasil, essa elevação pode ter impactos diretos sobre o transporte, a indústria e o agronegócio, além de pressionar os preços dos combustíveis e da energia. Apesar da alta recorde do petróleo, os preços da gasolina e do diesel no Brasil apresentaram leve aumento recentemente.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a gasolina passou de R$ 6,28 para R$ 6,30 entre a última semana de fevereiro e 7 de março, enquanto o diesel subiu de R$ 6,03 para R$ 6,08 no mesmo período. Especialistas afirmam que a alta do petróleo poderia resultar em reajustes maiores nos combustíveis, mas a política atual da Petrobras permite amortecer parte dessa volatilidade no curto prazo.

A Petrobras, desde 2023, adotou um modelo de preços que considera fatores como cotações internacionais, custos de produção e condições do mercado interno, em vez de seguir automaticamente as oscilações do mercado internacional. Isso significa que as variações no preço do petróleo nem sempre são repassadas imediatamente ao consumidor.

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Marcos Bassani, analista de investimentos, destaca que a nova política de preços da Petrobras reduziu a frequência de reajustes. Ele afirma:

““Quando o petróleo sobe rapidamente, os combustíveis no Brasil podem ficar temporariamente mais baratos que no mercado internacional. Isso mostra que a Petrobras está absorvendo parte do choque externo para evitar aumentos abruptos.””

O preço do petróleo impacta diretamente os combustíveis, pois é a principal matéria-prima na produção de gasolina e diesel. A alta do barril ou da moeda americana tende a elevar os custos. No entanto, a Petrobras informa que o preço final também inclui impostos, a mistura de biocombustíveis e custos de transporte, distribuição e revenda.

No caso da gasolina, a parcela ligada à Petrobras representa cerca de 28,7% do preço final, equivalente a aproximadamente R$ 1,81, considerando o preço médio de R$ 6,30 por litro. Para o diesel, a participação da Petrobras é maior, cerca de 46%, o que representa aproximadamente R$ 2,80 em um valor médio de R$ 6,08 por litro.

Embora a política atual da Petrobras permita atrasar parte dos repasses, analistas alertam que essa estratégia tem limites. Bassani afirma:

““Se o petróleo permanecer alto por muito tempo, a Petrobras tende a reajustar os preços para recuperar margens.””

A dependência brasileira de importações, especialmente de diesel, também pode pressionar os preços.

Johnny Martins, vice-presidente do SERAC, ressalta que conflitos em regiões produtoras aumentam a volatilidade dos mercados e a insegurança, o que eleva os preços. Ele afirma:

““Qualquer risco de interrupção de produção, transporte ou exportação gera insegurança. E quando há insegurança, o preço sobe.””

João Abdouni, analista da Levante Inside Corp, acredita que a Petrobras pode continuar segurando parte dos repasses enquanto aguarda uma estabilização das cotações. Ele afirma:

““A empresa tende a esperar antes de realizar reajustes, que podem ocorrer ao longo dos próximos dias caso os preços se mantenham em patamares mais elevados.””

TAGGED:Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e BiocombustíveiscombustíveisEconomiaGuerraJoão AbdouniJohnny MartinsMarcos BassaniPetrobrasPetróleo
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