Milhares de pessoas se reuniram nesta segunda-feira, 9, na Praça da Revolução, em Teerã, para jurar lealdade ao novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, sucessor de Ali Khamenei, que morreu em ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro.
Imagens transmitidas pela emissora estatal Press TV mostram uma multidão densa ocupando a praça central da capital iraniana. Os participantes seguravam bandeiras nacionais e retratos do novo líder, além de cartazes e placas em apoio à nova liderança do país.
A mobilização ocorreu um dia após a Assembleia de Peritos do Irã, órgão clerical responsável pela escolha do líder supremo, anunciar oficialmente a nomeação de Mojtaba como sucessor no comando da República Islâmica. O conselho afirmou ter eleito o religioso “por votação decisiva” como o terceiro líder supremo desde a Revolução Islâmica de 1979.
Nascido em 1969 na cidade de Mashhad, Mojtaba é o segundo filho de Ali Khamenei, que liderou o Irã por quase quatro décadas. O antigo líder morreu em 28 de fevereiro em ataques atribuídos a Estados Unidos e Israel, em meio à escalada do conflito regional.
Considerado por analistas um clérigo de linha dura, Mojtaba Khamenei assume o poder em um momento de forte tensão no Oriente Médio. Sua escolha sinaliza que a liderança iraniana pretende manter uma postura de confronto e resistência diante de pressões externas.
No sistema político do Irã, o líder supremo ocupa o posto mais poderoso do país, tendo a palavra final sobre as principais decisões de Estado e atuando como comandante-chefe das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária Islâmica.
A decisão irritou Donald Trump, que declarou não estar feliz com a nomeação. Em entrevista ao jornal americano New York Post, Trump afirmou: “Não vou dizer. Não estou feliz com a escolha dele”.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu que qualquer sucessor de Ali Khamenei se tornaria “um alvo”. Trump já havia afirmado que o nome de Mojtaba seria “inaceitável”, sugerindo que deveria ter papel na escolha do próximo líder supremo do Irã.
Trump, que foi criado como presbiteriano, comparou a situação à Venezuela, onde a presidente interina, Delcy Rodríguez, tem mostrado maior cooperação com Washington após a captura de Nicolás Maduro.
Em entrevista ao site de notícias Axios, Trump disse que os EUA provavelmente voltariam à guerra dentro de cinco anos se não houver um líder favorável a Washington no Irã.


