Cerca de metade do urânio enriquecido do Irã permanece armazenada em uma área subterrânea na cidade de Isfahan, que parece ter permanecido praticamente intacta após os bombardeios realizados pelos Estados Unidos e Israel. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (9) pelo chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi.
O complexo de túneis em Isfahan é o único alvo que não foi gravemente danificado nos ataques de junho do ano passado às instalações nucleares do Irã. O urânio armazenado foi enriquecido a até 60% de pureza, um passo abaixo do grau necessário para a produção de armas nucleares. “Acreditamos que Isfahan possuía um pouco mais de 200 kg de urânio com 60% de pureza. A suposição generalizada é que o material ainda esteja lá”, afirmou Grossi a repórteres durante uma conferência em Paris.
A AIEA estima que, quando Israel lançou os primeiros ataques em junho do ano passado, o Irã tinha 440,9 kg de urânio enriquecido a 60%. Se esse material for ainda mais enriquecido, poderia fornecer o explosivo necessário para 10 armas nucleares, conforme critérios da AIEA. “A suposição generalizada é que o material ainda está lá. Portanto, não vimos – e não apenas nós, mas todos que observam a instalação através de imagens de satélite e outros meios – movimento indicando que o material poderia ter sido transferido”, disse Grossi.
Desde os ataques de junho, o Irã não informou a AIEA sobre o estado do seu urânio altamente enriquecido e não permitiu que os inspetores da AIEA visitassem suas instalações bombardeadas. O programa nuclear do Irã é uma das justificativas apresentadas por Israel e pelos EUA para os ataques a Teerã, alegando que o país estava próximo de produzir uma bomba. Em 2025, Donald Trump afirmou que os ataques dos EUA haviam destruído o programa nuclear do Irã.
A AIEA declarou não ter nenhuma indicação credível de um programa coordenado de armas nucleares. Grossi também mencionou que as três fábricas iranianas de enriquecimento de urânio conhecidas – duas em Natanz e uma em Fordow – foram destruídas ou gravemente danificadas em junho de 2025. “Há também uma quantidade de urânio enriquecido a 60% em Natanz, que acreditamos que ainda existe”, concluiu Grossi.


