A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões, recebeu menos de 1% dos documentos referentes à quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi confirmada pelo presidente da Comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), nesta segunda-feira (9).
“A CPMI recebeu apenas 0,25%, vou repetir para os senhores, nós recebemos menos de 1% […] Foram enviados mais de 400GB de documentos e a comissão recebeu apenas 1GB, o que é um absurdo”, afirmou Viana.
Em dezembro de 2025, o então ministro-relator do caso Master no STF, Dias Toffoli, determinou que o Senado Federal recolhesse os dados referentes às quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de Vorcaro, que foram aprovados pela CPMI. Essa decisão foi revista em fevereiro de 2026, já pelo novo ministro-relator, André Mendonça.
Entre as duas decisões, a CPMI do INSS recebeu aproximadamente 450 gigabytes de documentos, a maior parte referente ao sigilo telemático disponibilizado pela Apple, que continha dados do celular do banqueiro salvos em nuvem. Contudo, na decisão de Mendonça, ele solicitou que a Polícia Federal recolhesse os dados antes de disponibilizá-los novamente à comissão.
Após 12 dias, os dados que compreendiam centenas de gigabytes retornaram com apenas 313 megabytes em 206 arquivos. Mendonça também afirmou que as quebras de sigilo feitas pela Polícia Federal no âmbito da investigação no STF deveriam ser disponibilizadas, mas até o momento não chegaram à CPMI.
Nos bastidores, a avaliação de parlamentares se divide entre atribuir o “filtro” dos documentos à Polícia Federal ou a Mendonça. Na segunda-feira (2), Carlos Viana afirmou que, após conversa com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, soube que os documentos passariam por um filtro antes de serem devolvidos à comissão.
“”Hoje eu conversei com o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei, para esclarecermos uma dúvida: a decisão do ministro André Mendonça não define, em momento algum, pelo menos não está lá, claro, que a Polícia Federal faça qualquer tipo de verificação de documentos ou filtros para entregar a comissão. Eu analisei junto com a advocacia-geral da casa e a determinação é de que nós recebamos os arquivos completos”, disse Viana.”
Outros parlamentares ouvidos atribuíram a filtragem ao ministro-relator do caso no STF. Os documentos mostram trocas de mensagens de Vorcaro com a então companheira Martha Graeff, revelando conexões do banqueiro com integrantes dos Três Poderes. Vorcaro menciona sua amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e comemora uma emenda apresentada pelo senador que pretendia aumentar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
A mensagem comemorando a atuação do parlamentar é de 13 de agosto de 2024, horas após a apresentação da emenda. O caso Master chamou a atenção das autoridades por utilizar um modelo agressivo de captação de recursos baseado na emissão de CDBs com garantia do FGC. Em uma conversa de abril de 2025, Vorcaro mencionou que iria se encontrar com “alexandre moraes”, em referência ao ministro do STF.


