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Festa de estudantes em Recife gera críticas por racismo recreativo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma festa organizada por comissões de formatura de estudantes do Colégio Damas, uma das escolas mais tradicionais do Recife, gerou críticas nas redes sociais por ser considerada um exemplo de racismo recreativo. O evento, intitulado ‘Deu a louca no morro’, foi promovido para alunos da instituição e levantou polêmica após comentários da jornalista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fabiana Moraes.

Fabiana Moraes destacou em suas redes sociais que a festa apresentava uma temática problemática, onde os participantes se fantasiavam de estereótipos associados a moradores de favelas. Em vídeos que circulam na internet, adolescentes sugerem ‘looks’ para o evento, incluindo camisas de times de futebol, shorts curtos, cordões dourados e óculos estilo ‘juliet’.

A jornalista questionou o papel da escola na situação, afirmando: ‘O que pensar quando um grupo de educadores/as não vê problema no racismo recreativo? A escola não tinha nenhum conhecimento?’

Além disso, ativistas e profissionais da educação também se manifestaram contra o tema da festa. A deputada estadual Dani Portela (PSOL) comentou que o evento estigmatiza moradores de periferias e reforça preconceitos de raça e classe. ‘Uma das modalidades da prática de racismo é o racismo recreativo. É quando o racismo é praticado como piada, como meme, como brincadeira’, disse a parlamentar em um vídeo.

Em resposta às críticas, o Colégio Damas afirmou que não teve conhecimento prévio da festa e que o evento foi organizado de forma privada por estudantes, fora do ambiente escolar e sem qualquer vínculo com a instituição. A escola divulgou uma nota esclarecendo a situação e ressaltou a importância do respeito e da dignidade humana, repudiando qualquer forma de discriminação.

A nota do Colégio Damas afirma: ‘Diante das publicações que vêm circulando nas redes sociais sobre uma festa associada a alunos da instituição, o Colégio Damas vem a público prestar os seguintes esclarecimentos. O evento mencionado foi organizado de forma privada por estudantes, fora do ambiente escolar e sem qualquer vínculo institucional ou participação da escola em sua concepção, organização ou divulgação.’

A instituição também destacou a necessidade de responsabilidade no tratamento de informações que envolvem adolescentes e reafirmou seu compromisso com a formação ética e cidadã, promovendo um ambiente educacional pautado pelo respeito e pelos valores cristãos.

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