A guerra no Oriente Médio acende um sinal amarelo no agronegócio brasileiro. Na semana passada, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) divulgou uma nota alertando sobre os impactos diretos no setor, especialmente no custo dos insumos e do combustível.
As importações, embora pequenas — cerca de US$ 11,9 milhões por ano — têm peso estratégico para o agro, sendo que 79% são fertilizantes, principalmente ureia. A CNA defende o aumento da mistura de biodiesel ao diesel de 15% para 17% para minimizar o impacto da alta mundial do petróleo.
Uma alta nos preços do diesel impacta o frete e afeta diretamente a lavoura, já que o maquinário utiliza esse combustível. Economistas ouvidos no programa Mercado (Veja +) consideram o pedido da CNA como não exagerado.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, avalia que a manifestação da CNA já sinaliza problemas futuros que começam a se justificar no mercado, afetando não apenas combustíveis, mas diferentes setores da economia.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, resume o momento como uma “tempestade perfeita”: o agro enfrenta queda nos preços de commodities como milho, arroz e açúcar, enquanto os insumos continuam caros, com fertilizantes ainda pressionados desde 2022.
Segundo Galhardo, o aumento do custo de transporte em algumas rotas chegou a ser dez vezes maior, cenário que se soma ao avanço do endividamento e aos pedidos de recuperação judicial no setor. Esse quadro pode continuar em 2026, mesmo com safras robustas.


