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Três policiais femininas limparam apartamento onde PM morreu, diz testemunha

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Uma testemunha do condomínio onde a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana foi encontrada morta afirmou à Polícia Civil que três policiais femininas foram ao apartamento do casal, localizado no Brás, região central de São Paulo, para realizar a limpeza do imóvel horas após a ocorrência. O incidente ocorreu no dia 9 de março de 2026.

Segundo a testemunha, as policiais chegaram ao prédio por volta das 17h48 do mesmo dia e entraram no apartamento acompanhadas por uma funcionária do local. O disparo que resultou na morte de Gisele teria acontecido por volta das 7h. As policiais, identificadas como uma soldado e duas cabos, realizaram a limpeza do local onde Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça.

Gisele foi encontrada no apartamento em fevereiro deste ano. O marido dela, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, relatou à polícia que estava no banho quando ouviu um barulho que pensou ser uma porta batendo. Ao sair do banheiro, ele encontrou a esposa caída na sala.

A Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita. Depoimentos de socorristas que atenderam a ocorrência levantam questionamentos sobre a versão apresentada pelo tenente-coronel. Ele afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas os bombeiros que chegaram ao local relataram que ele estava seco e não havia marcas de água no chão do apartamento.

O tenente-coronel disse que entrou no banheiro por volta das 7h e, um minuto depois, ouviu o disparo. No entanto, um sargento do Corpo de Bombeiros, com 15 anos de experiência, afirmou que ao chegar ao apartamento, encontrou Geraldo de bermuda, sem camisa e completamente seco, sem qualquer sinal de que tivesse saído do banho rapidamente.

Outro ponto que chamou a atenção dos socorristas foi a conduta do tenente-coronel, que não demonstrou desespero e falava calmamente ao telefone, questionando o atendimento prestado pelos bombeiros e insistindo para que a vítima fosse levada ao hospital com urgência. Além disso, ele não apresentava marcas de sangue, o que indicaria que não tentou prestar socorros à esposa.

Entre os contatos feitos por Geraldo na manhã da ocorrência, uma ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, gerou estranhamento na família da policial. O desembargador chegou ao prédio às 9h07 e subiu para o apartamento com o tenente-coronel. O advogado da família questiona a presença do magistrado no local.

A defesa do tenente-coronel afirma que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo até o momento e que está colaborando com as autoridades. A defesa do desembargador informou que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que prestará esclarecimentos à polícia judiciária. O caso, inicialmente registrado como suicídio, continua sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar.

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