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Voçorocas ameaçam casas em Buriticupu e geram insegurança entre moradores

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O avanço das voçorocas em Buriticupu, no Maranhão, tem causado medo e prejuízos a moradores da cidade, localizada a 414 km de São Luís. As crateras, formadas principalmente pela ação da água da chuva em solo arenoso, já afetaram centenas de famílias e continuam crescendo, ameaçando casas e ruas.

Uma moradora, Nádia, relatou que a voçoroca está a cerca de 13 metros de sua casa. Ela contou que, quando a residência foi construída, há cerca de dez anos, a cratera estava a aproximadamente 500 metros do quintal. “Esse buraco aqui, de dois ou três anos para cá, avançou muito. Agora está caindo do outro lado. Do jeito que está, se continuar assim, vai acabar mais ruas”, afirmou o marido de Nádia.

As voçorocas surgiram em Buriticupu há cerca de 40 anos e se intensificaram com o crescimento urbano desordenado. Especialistas apontam que ruas pavimentadas sem sistema de drenagem direcionam a água da chuva para encostas, acelerando o surgimento e o avanço das crateras. “Assusta a gente porque balança até as coisas dentro de casa. Quando a barreira quebra, o chão estremece como se fosse um trovão”, relatou um morador.

Atualmente, Buriticupu registra cerca de 33 crateras, que têm mudado a geografia da cidade. Em alguns bairros, ruas inteiras desapareceram. “Antes era uma rua por onde passavam carros, motos e moradores. Agora não existe mais”, disse um residente. Uma das voçorocas avançou cerca de 18 metros desde o início do ano passado, destruindo parte de uma rua e chegando perto de várias casas.

Devido ao risco, pelo menos 16 famílias foram obrigadas a deixar seus imóveis, que ficaram à beira da cratera. A moradora Nielba, que vivia a cerca de 15 metros de uma voçoroca, decidiu sair por medo de desabamento. “Estou deixando minha casa porque não consigo mais dormir à noite de tanto medo”, contou.

As voçorocas já causaram sete mortes na cidade. Recentemente, um idoso de 72 anos caiu em uma das crateras e segue internado com fraturas. Estima-se que mais de 360 famílias tenham sido afetadas pelas erosões, e outras centenas ainda vivem em áreas de risco.

Na última sexta-feira (6), terminou o prazo dado pela Justiça para que a Prefeitura de Buriticupu apresentasse um relatório sobre as medidas para conter o avanço das voçorocas e proteger as famílias em áreas de risco, mas até o momento, o documento não foi apresentado. Desde 2023, o governo federal já liberou quase R$ 10 milhões para ações de socorro aos moradores afetados, sendo cerca de R$ 8 milhões destinados à construção de casas para as famílias atingidas. No entanto, parte das moradias ainda não foi entregue, com 27 casas prontas há quase um ano, mas vazias, e outras 15 ainda em construção.

Com as obras paradas, a água da chuva invade alguns imóveis, causando infiltrações nas paredes e no teto. “A gente espera que chamem a gente para dizer que a casa já está pronta, que a gente pode ir para o novo lar. Mas isso nunca aconteceu”, lamentou uma moradora que aguarda a entrega da nova residência.

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