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Novo líder supremo do Irã gera divisões entre Rússia e Estados Unidos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A escolha do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, gerou reações opostas entre a Rússia e os Estados Unidos. O ex-presidente Donald Trump expressou descontentamento com a escolha, enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu apoio inabalável ao novo líder.

A lista de candidatos ao posto variava de cinco a oito nomes. Entre os cotados, estavam o ex-presidente Hassan Rouhani e Hassan Khomeini, neto do fundador do regime, ambos vistos como moderados. No entanto, a linha dura prevaleceu com a escolha de Mojtaba Khamenei, um veterano da guerra Irã-Iraque que nunca ocupou um cargo político, mas possui fortes ligações com a Guarda Revolucionária e as forças Quds.

Analistas consideram Mojtaba mais próximo do aparato repressivo do regime do que seu pai, o aiatolá Ali Khamenei. A Guarda Revolucionária foi responsável por um massacre de até 30 mil pessoas, segundo grupos de direitos humanos, durante protestos que se tornaram a maior revolta contra o regime. Mojtaba já se declarou contrário aos Estados Unidos e Israel.

Como líder supremo, ele terá poderes sobre todos os setores do Irã. Eric Lob, professor de política externa da Universidade da Flórida, explica que “o líder supremo é a mais alta autoridade política e religiosa, comanda as forças armadas, supervisiona a imprensa estatal e o Conselho dos Guardiões, que pode vetar candidatos à presidência e ao Parlamento, além de vetar leis aprovadas pelo Congresso”.

Embora a Assembleia de Especialistas do Irã tenha oficialmente eleito Mojtaba Khamenei, fontes da imprensa internacional afirmam que a Guarda Revolucionária teve influência direta na escolha, que é vista como uma mensagem de desafio aos Estados Unidos. Na semana passada, Trump já havia declarado que o nome de Mojtaba era inaceitável para os americanos e, em entrevista à Fox News, reiterou que não está feliz com a escolha.

Por outro lado, Putin parabenizou o novo líder supremo e ofereceu apoio inabalável. O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o processo de escolha seguiu a Constituição do Irã, mas não fez comentários adicionais. Eric Lob acrescenta que Trump tinha planos de encontrar alguém dentro do regime para defender os interesses dos Estados Unidos, mas a escolha de Mojtaba envia uma forte mensagem de resistência. Israel já alertou que o sucessor de Ali Khamenei poderia ser alvo de assassinato devido à sua postura em relação ao país e suas ligações com grupos extremistas como Hamas e Hezbollah.

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