A Justiça de Itapecerica da Serra afastou um delegado de polícia denunciado por promover uma organização criminosa. A decisão foi tomada na última sexta-feira, 6 de março de 2026, e atendeu a um pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Na mesma decisão, dois empresários, pai e filho, tiveram a prisão preventiva decretada. Além deles, uma filha e uma funcionária de um dos empresários foram alvo de medidas judiciais que as impedem de acessar a empresa investigada e determinam que compareçam mensalmente à Justiça para informar sobre suas atividades.
As cinco pessoas se tornaram rés após a Justiça aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo. As investigações revelaram que o grupo estruturou uma organização criminosa operando a partir de uma empresa do setor de implementos rodoviários em Itapecerica da Serra.
De acordo com a apuração, a empresa era utilizada para comercializar reboques e semirreboques com sinais identificadores adulterados ou suprimidos, muitos deles de origem ilícita. Os veículos eram apresentados como novos ou de fabricação própria, com emissão de documentos e notas fiscais que mascaravam a real procedência dos equipamentos.
As investigações também apontaram que os líderes do grupo coordenavam as atividades ilícitas e o relacionamento com clientes e funcionários, enquanto outros integrantes atuavam nas áreas administrativa, financeira e comercial da empresa, movimentando valores e participando de transações ligadas ao esquema.
Em fiscalizações rodoviárias realizadas em diferentes estados, autoridades identificaram implementos registrados como sendo da empresa, mas que apresentavam características estruturais de outros fabricantes e sinais de remarcação de chassis. Segundo o Ministério Público, o delegado denunciado utilizou as prerrogativas do cargo para atuar em favor da organização criminosa, facilitando suas atividades e contribuindo para a proteção do grupo.


