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Prédio tombado em SP pode perder proteção após pedido da proprietária

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um prédio tombado como patrimônio histórico na cidade de São Paulo pode perder essa proteção. A solicitação partiu da própria proprietária do imóvel, localizado na Avenida Angélica, em Higienópolis.

O edifício foi reconhecido em 2024 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). A empresa dona do imóvel apresentou um recurso afirmando que o local não possui relevância arquitetônica, urbanística ou afetiva.

O prédio abriga a Escola Panamericana de Arte e Design e é notável por sua arquitetura, com estrutura metálica vermelha aparente. Túneis em formato cilíndrico formam as pontes de acesso, e no topo há um arremate em forma de pirâmide. O projeto é do arquiteto Siegbert Zanettini, concebido entre os anos 1970 e 2000, período caracterizado pela arquitetura pós-moderna.

No recurso apresentado ao Conpresp, a empresa argumenta que o tombamento não deve ser banalizado para homenagear arquitetos ou impor restrições consideradas descabidas ao uso do imóvel. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) defende a preservação do edifício, destacando sua representação de um período específico da arquitetura paulista.

““Além de ser um marco do modo de fazer arquitetura dos anos 1970 até os anos 2000, focado na pós-modernidade, ele traz técnicas construtivas que são muito peculiares daquela época”, disse Maíra Barros, coordenadora da CAU-SP.”

A votação sobre o recurso que questiona o tombamento estava prevista para segunda-feira (9), mas foi adiada. O presidente do Conpresp acolheu um pedido da empresa proprietária para que os conselheiros realizem uma visita ao local antes de tomar uma decisão. Assim, a votação foi suspensa temporariamente, sem data definida para a nova sessão.

O processo de tombamento foi iniciado após a demolição de outro edifício da mesma escola, na Rua Groenlândia, em 2021. O projeto também era de Siegbert Zanettini e foi demolido antes que o Conpresp pudesse avaliar sua importância arquitetônica. No local, foi construído um edifício residencial de alto padrão.

Casos semelhantes têm gerado debates sobre a preservação do patrimônio arquitetônico em São Paulo. Em abril de 2025, um prédio construído nos anos 1980 pelo arquiteto modernista Rino Levi, em Pinheiros, também foi demolido. O imóvel fazia parte do acervo de estudos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), mas, sem a proteção do órgão municipal, foi transformado em entulho.

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