Três empreendedoras baianas fundaram uma empresa que desenvolve absorventes biodegradáveis para combater a pobreza menstrual. O negócio nasceu em Salvador, Bahia, após Hellen Nzinga testemunhar uma mulher contando moedas para comprar absorventes em um supermercado.
A situação despertou um propósito em Hellen, que na época participava de um programa de formação de lideranças. Junto com Adriele Menezes e Patrícia Zanella, elas criaram a empresa com o objetivo de oferecer soluções acessíveis e sustentáveis para quem menstrua.
Após três anos e meio de pesquisa, as empreendedoras lançaram um absorvente biodegradável, feito com materiais atóxicos, higiênicos e veganos. Diferente dos produtos descartáveis, que podem levar centenas de anos para se decompor, o absorvente desenvolvido se decompõe em cerca de seis meses.
Para viabilizar o projeto, o trio buscou apoio em editais e competições internacionais, acumulando mais de R$ 500 mil em premiações, que ajudaram a financiar a produção e o desenvolvimento da tecnologia. Parte da produção é realizada por costureiras, muitas delas mulheres acima de 50 anos que estavam fora do mercado de trabalho.
Atualmente, a rede de produção fabrica cerca de 5 mil unidades por mês, gerando renda para essas profissionais. O modelo de atuação da empresa é B2B, fornecendo produtos para empresas que promovem ações sociais. Muitas vezes, os absorventes são distribuídos gratuitamente em comunidades.
Desde a criação da empresa, mais de 20 mil mulheres foram impactadas, incluindo a distribuição de absorventes em 17 estados brasileiros e em comunidades indígenas próximas à fronteira com a Venezuela. Em 2025, o faturamento da empresa atingiu cerca de R$ 700 mil.
Além dos absorventes biodegradáveis, as empreendedoras investiram em uma linha de produtos menstruais reutilizáveis, como calcinhas e biquínis menstruais, com a expectativa de criar um e-commerce próprio. Para as fundadoras, a missão é transformar a forma como a sociedade lida com a menstruação, reduzindo desigualdades e ampliando oportunidades para mulheres.
““Sustentabilidade é cuidar das pessoas”, resume Hellen. “Não dá para falar de meio ambiente sem olhar também para quem está vivendo essa realidade.””


