Internações por overdose cresceram 165% no centro-oeste e oeste paulista entre 2015 e 2025, segundo dados do Datasus e do Ministério da Saúde. O aumento é alarmante, pois supera o da capital paulista, que registrou um salto de 29% no mesmo período.
A faixa etária mais afetada pelo crescimento das internações é a de 20 a 29 anos, com um aumento de 310%. Em 2025, foram 82 jovens internados, o maior número em uma década.
Um segurança que trabalha em festas e eventos com grande concentração de jovens relatou que a frequência de drogas nessas festas tem aumentado. Ele afirmou:
““A gente tem notado o aumento de apreensões de drogas tanto na revista quanto durante as festas […] Em festas universitárias, é mais cocaína. Quando são festas com o ‘povão’, são os lança-perfumes.””
Em 2025, Botucatu liderou o ranking das cidades com mais internações por overdose, com 37 casos e nenhuma morte. Bauru ficou em segundo lugar, com 33 casos e uma morte, seguido por Jaú, com 32 casos e quatro mortes.
Especialistas apontam que o ambiente de festas pode ser o primeiro contato de um jovem com drogas. Mariah Reinato Ferrão, gerente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), destacou os riscos associados ao uso inicial de substâncias:
““Existe um risco desde o primeiro uso. Por exemplo, a cocaína tem pessoas que usam pela primeira vez e infartam ou têm AVC por conta de aumento de pressão.””
A overdose pode ser causada pelo uso excessivo de medicamentos ou pela combinação de diferentes substâncias. Contudo, as drogas têm sido o principal fator associado a essa condição de saúde, que pode levar à morte. Em Bauru, os chamados do Samu para ocorrências relacionadas aumentaram 26% de 2024 a 2025.
O psiquiatra Fabrício Bertoli Gimenes explicou que a mudança no comportamento dos jovens está relacionada ao aumento do consumo de drogas, especialmente devido à busca por recompensas imediatas. Ele afirmou:
““As pessoas hoje vão em busca do sistema de recompensa imediato. Então, existe um neurotransmissor que se chama dopamina, que é o neurotransmissor da condição do bem-estar.””
A Comunidade Bom Pastor, em Bauru, atua na reabilitação de dependentes químicos. Edilson Ramiro de Freitas, membro da comunidade, destacou a importância de buscar ajuda:
““Se a droga começa a resolver todos os problemas dele [o usuário], é muito perigoso, porque começa a instalar dependência.””
José Luiz Prata, coordenador da instituição, ressaltou que pedir ajuda é um passo fundamental para quem vive com a dependência química.


