Motoristas, taxistas e passageiros enfrentam congestionamentos constantes no entorno do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo. O problema se intensificou desde a inauguração do bolsão de carros de aplicativo pela concessionária Aena em junho de 2024.
A falta de controle sobre a entrada e saída dos motoristas no bolsão tem gerado filas intermináveis, prejudicando a fluidez do trânsito na Avenida Washington Luís e no Túnel Paulo Autran. Flávio dos Santos Souza, taxista com 20 anos de experiência no local, afirmou: “O problema acontece principalmente fora dos horários de pico. Porque, sem corridas uma atrás da outra, os motoristas de aplicativo entopem o bolsão e formam uma fila enorme na entrada do terminal que prejudica todos os passageiros e usuários do terminal.”
O bolsão possui capacidade para apenas 145 veículos, e a disputa por espaço não conta com controle efetivo, segundo os taxistas. Essa situação gera confusão no tráfego e atrasa a chegada de passageiros e tripulações ao terminal. “Tem vários relatos de tripulantes e passageiros se atrasando para o check-in por causa desse tráfego”, destacou Flávio Souza.
Motoristas de aplicativo também expressam descontentamento. Joelson dos Santos, de 39 anos, afirmou que evita o bolsão devido à lotação. “Eu deixei de atender o aeroporto e fico perto das estações do metrô para pegar os passageiros que vão para Congonhas”, disse. Carlos Eduardo Pereira também comentou: “Tem dia que eu nem vou mais para o bolsão dos taxistas, porque o caos é tanto para chegar lá que não está compensando.”
A concessionária Aena anunciou que fará mudanças no acesso ao bolsão nos próximos dias, embora não tenha especificado um prazo. A empresa informou que o acesso será feito próximo à entrada do edifício-garagem e que a capacidade será ampliada de 140 para 250 vagas. “As mudanças têm como objetivo melhorar o fluxo de veículos nas entradas do bolsão e desafogar o trânsito local”, declarou a Aena.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas de aplicativo como Uber e 99, afirmou que mantém diálogo com a Aena e órgãos de trânsito. A entidade ressaltou que o trânsito nas imediações de Congonhas é um desafio estrutural complexo, influenciado por diversos fatores, incluindo o grande volume de passageiros e obras viárias.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que monitora o trânsito nas vias de acesso ao aeroporto e que o bolsão é fechado em caso de congestionamento. A CET também implantou a Zona de Embarque de Aplicativos (ZEA) e um estacionamento para veículos aguardando chamadas de passageiros, visando otimizar a rotatividade das vagas.


