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Precarização do trabalho no Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A revista virtual ESG Insights lançou hoje (10/03) a edição com a pergunta: ‘Para onde vai o trabalho?’. O mercado de trabalho brasileiro enfrentou desafios como a reforma trabalhista, a crise econômica e a pandemia, que moldaram sua estrutura.

José Eustáquio Diniz, sociólogo e doutor em Demografia pela UFMG, afirma: ‘A questão central já não é apenas gerar empregos, mas que tipo de trabalho, com que direitos e para qual projeto de país’.

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor nível desde 2012, segundo a Pnad Contínua do IBGE. Apesar disso, a precarização do trabalho persiste, refletindo uma tendência global.

Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que o desemprego global deve se manter estável em 2026, com 2,1 bilhões de trabalhadores no mercado informal, que enfrentam acesso limitado à proteção social e direitos laborais. Aproximadamente 284 milhões de trabalhadores vivem em pobreza extrema.

No Brasil, a informalidade aumentou após a recessão de 2015-2016 e se estabilizou entre 38% e 40% desde 2022. Em 2024, 71,1% dos motoristas e entregadores de aplicativos estavam em situação de informalidade, enquanto a informalidade entre os não plataformizados era de 43,8%.

De acordo com pesquisa do Cebrap, a maioria dos trabalhadores de aplicativos é composta por pretos e pardos, representando 68% e 62%, e se concentra na classe C ou inferior.

José Eustáquio Diniz observa que o mercado apresenta menos empregos formais, mais contratos temporários e uma crescente precarização. Fillipi Nascimento, doutor em sociologia, acrescenta que ‘não temos exatamente uma nova classe trabalhadora, mas talvez uma classe sujeita a novos mecanismos de exploração’.

Uma pesquisa do Ibre/FGV revela que 57,3% dos trabalhadores consideram difícil conseguir emprego. Entre os jovens de 18 a 24 anos, 68% relatam dificuldades para o primeiro emprego, enquanto 61% dos trabalhadores com mais de 50 anos enfrentam rejeição por causa da idade.

O mercado de trabalho está mais exigente, com poucas vagas formais e oportunidades de baixa remuneração. Nascimento destaca que a educação não compensa todas as desvantagens enfrentadas por aqueles que nascem em contextos difíceis.

Em 2024, mais de 472 mil brasileiros se afastaram temporariamente do trabalho por questões de saúde mental, um aumento de 134% em dois anos, segundo o Ministério da Previdência Social. O relatório da Gallup sobre o ambiente de trabalho global confirma que o mercado está enfrentando altos níveis de estresse e desengajamento.

O debate atual envolve a necessidade de repensar o trabalho e suas consequências sociais e emocionais, além da busca por um equilíbrio entre remuneração e felicidade.

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