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Ex-ministro Franklin Martins é deportado do Panamá após perguntas sobre prisão na ditadura

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal, Franklin Martins, foi detido e deportado na última sexta-feira (6) durante uma conexão na Cidade do Panamá. Ele estava a caminho de um seminário na Guatemala.

Em relato enviado ao Itamaraty e divulgado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Martins afirmou que, ao desembarcar, teve o passaporte retido por agentes à paisana e foi levado para uma sala reservada do aeroporto. Os policiais informaram que ele passaria por uma “entrevista”.

““Quando entreguei meu documento, um dos agentes dirigiu-se ao seu colega (provavelmente seu superior) e entregou-lhe o passaporte. Imediatamente o policial pediu-me que o acompanhasse. Perguntei-lhe o motivo. Respondeu apenas que precisava fazer uma entrevista comigo”, contou Franklin Martins.”

O ex-ministro, que atuou durante o segundo governo do presidente Lula, descreveu o local como tendo uma parede de vidro espelhado, permitindo que superiores acompanhassem o interrogatório sem serem vistos. Ele preencheu um formulário com dados pessoais, respondeu a perguntas e teve fotografias e impressões digitais coletadas diversas vezes.

Martins informou aos agentes que participaria de um seminário da Universidade Rafael Landívar com o tema “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”. Os questionamentos, no entanto, se referiram à sua prisão durante a ditadura militar em 1968.

““Deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas”, disse Franklin.”

Após aguardar cerca de 20 minutos, Martins foi informado de que não poderia seguir viagem à Guatemala. Os agentes mencionaram a Lei de Migração do Panamá, de 2008, que proíbe a entrada ou conexão de estrangeiros que tenham cometido crimes graves.

““Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro. Perguntei-lhe a razão. Ele tampouco explicou claramente. Como seu colega, voltou a falar na Lei de Migração de 2008”, afirmou o ex-ministro.”

Martins reiterou que não havia cometido crime algum, mas sim lutado contra uma ditadura. Ele solicitou contato com a embaixada brasileira, mas o pedido foi negado. O ex-ministro permaneceu por mais quatro horas em outra sala da área de migração, onde novamente foi fotografado e teve digitais recolhidas.

Os agentes mencionaram que a lei se tornou mais rígida após acordos de segurança entre o Panamá e os Estados Unidos, em 2025. Franklin Martins foi deportado para o Rio de Janeiro, e seu passaporte foi devolvido apenas após sua chegada ao Brasil.

““É evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas”, disse Franklin Martins.”

O Itamaraty foi contatado para comentar o caso, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem.

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