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Infarto em mulheres: diferenças na manifestação e tratamento da doença

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O infarto, historicamente considerado uma “doença masculina”, afeta tanto mulheres quanto homens, mas se manifesta de forma mais complexa e silenciosa nas mulheres. A Diretriz Brasileira de Síndrome Coronariana Crônica, publicada em 2025, destaca essa realidade e explica os diagnósticos tardios e tratamentos menos eficazes para o sexo feminino.

Um dos avanços da diretriz é a mudança na terminologia, que agora se refere à doença isquêmica cardíaca, abrangendo não apenas a aterosclerose, mas também condições mais comuns entre mulheres, como isquemia e angina sem obstrução das artérias coronárias (INOCA/ANOCA) e infarto sem obstrução coronariana (Minoca). Este último representa de 5 a 10% de todos os infartos, sendo três vezes mais comum em mulheres jovens do que em homens.

Os mecanismos do Minoca incluem vasoespasmo, disfunção microvascular, trombose, embolia e dissecção espontânea da artéria coronária. A diretriz alerta que o Minoca não deve ser considerado um infarto “menor”, pois a mortalidade e a qualidade de vida após o evento podem ser comparáveis às da doença aterosclerótica clássica.

Aproximadamente dois terços das mulheres com isquemia miocárdica não apresentam obstruções significativas no cateterismo cardíaco, o que explica os diagnósticos normais em pacientes com sintomas persistentes. A boa notícia é que novos exames estão sendo desenvolvidos para detectar a microcirculação do coração, como cateteres especiais e tecnologias de ressonância cardíaca.

A dor no peito é o sintoma mais comum de infarto em ambos os sexos, mas as mulheres frequentemente apresentam sinais atípicos, como falta de ar, fadiga intensa, alterações do sono e dor em áreas como dorso, pescoço e mandíbula. Muitas relatam sinais de alerta dias ou semanas antes do infarto, como cansaço extremo e desconforto no peito.

Mesmo após o diagnóstico, as mulheres enfrentam desvantagens. O prognóstico após o infarto é pior para elas, com uma mortalidade em um ano de 26% em mulheres contra 19% em homens. Além disso, as mulheres têm maior taxa de reospitalização e risco de insuficiência cardíaca, especialmente as mais idosas.

Os fatores de risco, como hipertensão e diabetes, afetam o coração de forma mais intensa nas mulheres, contribuindo para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca. O estrogênio oferece proteção ao coração feminino, mas essa vantagem diminui após a menopausa, quando as taxas de infarto se igualam entre os sexos.

Apesar das evidências, as mulheres ainda recebem menos terapias baseadas em diretrizes e são menos encaminhadas para exames invasivos. A maior parte do risco cardiovascular feminino é modificável, e recomendações incluem conhecer os fatores de risco, não negligenciar sintomas, praticar atividade física, adotar uma alimentação saudável, dormir bem e seguir o tratamento prescrito.

Reconhecer as particularidades do coração feminino é essencial para reduzir diagnósticos tardios e mortes precoces.

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