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Segurança

Família questiona intervalo entre disparo e socorro em caso de PM baleada em SP

Amanda Rocha
Última atualização: 10 de março de 2026 09:09
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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A família da policial militar Gisele Alves, baleada na cabeça em seu apartamento em São Paulo, questiona o intervalo de 29 minutos entre o disparo ouvido por uma vizinha e o pedido de socorro feito pelo tenente-coronel Geraldo Neto, seu marido.

A vizinha relatou que ouviu um estampido único e forte às 7h28. Ela conferiu o horário no celular e, segundo a família, o tenente-coronel fez a primeira ligação pedindo ajuda às 7h57.

““Nesse espaço de tempo, Gisele ficou agonizando. O coronel tem que explicar isso. A família merece essa explicação.””

A família também solicita que o caso seja investigado como feminicídio. O tenente-coronel, em sua ligação aos serviços de emergência, afirmou que a esposa havia tirado a própria vida.

““Minha esposa se matou com um tiro na cabeça. Manda um resgate aqui agora, por favor,””

disse ele no telefonema. O oficial alegou que estava no banho durante uma discussão com Gisele e que, ao ouvir o barulho, saiu do chuveiro e encontrou a esposa caída no chão.

Os bombeiros chegaram ao local às 8h13 e conseguiram reanimar Gisele, que foi levada para atendimento médico. Um dos socorristas, com 15 anos de experiência, notou elementos estranhos na cena do crime, como a arma bem encaixada na mão da vítima, o sangue coagulado e a ausência do cartucho da bala.

Laudos da Polícia Técnico-Científica indicaram que a cena do crime não foi preservada adequadamente, dificultando a determinação da dinâmica do disparo. Imagens do apartamento mostram móveis fora do lugar e produtos de limpeza espalhados pelo chão.

Entre as ligações feitas pelo tenente-coronel naquela manhã, houve um telefonema para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Kogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. O advogado da família de Gisele afirmou que a presença do magistrado no local também precisa ser esclarecida.

A defesa de Geraldo Neto declarou que ele não é investigado, suspeito ou indiciado e que tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações. Os advogados do desembargador informaram que ele foi ao apartamento a pedido do tenente-coronel, como amigo, e que prestará esclarecimentos à polícia.

TAGGED:FeminicídioGeraldo NetoGisele AlvesMarco Antônio Pinheiro Machado KoganPMPolícia Técnico-CientíficaSão PauloTribunal de Justiça de São Paulo
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