O escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou informações sobre sua relação profissional com o Banco Master. O escritório informou que foram produzidos 36 pareceres jurídicos e opiniões legais para a instituição financeira, além de 79 reuniões presenciais na sede do banco e 13 encontros com a presidência, sendo dois presenciais. Os serviços foram prestados de fevereiro de 2024 até novembro de 2025, quando o banco foi liquidado.
A empresa jurídica destacou que contava com 15 profissionais e três escritórios sob sua coordenação, atuando em áreas como governança, política de relacionamento com o poder público e revisão da política de captação para o regime próprio da Previdência Social.
A nota emitida pelo escritório Barci de Moraes ressalta que nunca atuou em causas do Master no STF, onde Alexandre de Moraes é ministro. Contudo, não menciona o valor do contrato, que foi revelado anteriormente como sendo de R$ 129 milhões, dos quais aproximadamente R$ 80 milhões teriam sido pagos antes da interrupção do contrato.
““Já questionávamos este contrato, já que não existia nenhuma referência para isso, […] Não faz sentido esse valor”, apontou a analista Thais Herédia.”
As revelações sobre o caso Master levaram os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli a emitirem 13 notas oficiais, expondo uma crise de credibilidade sem precedentes para o STF. O senador Alessandro Vieira protocolou um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as condutas dos dois ministros, conseguindo 29 assinaturas, número suficiente para a instalação da CPI.
No entanto, a iniciativa enfrenta resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que mantém proximidade com alguns ministros do Supremo, especialmente Alexandre de Moraes. “A preços de hoje, é muito difícil dessa CPI sair”, afirmou o diretor de jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner.
““Nasceu morta a CPI. Para esse ano, é muito difícil, quase impossível – o que vai mover o Caso Master esse ano são dois fatores: Polícia Federal e André Mendonça”, disse o analista Caio Junqueira.”
A crise no STF se amplia pelo incômodo do decano Gilmar Mendes com vazamentos ocorridos na operação cujo relator é André Mendonça. “A exposição pública de conversas de cunho estritamente privado, desvinculadas de qualquer ilicitude, constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade e uma demonstração de barbárie institucional que transgride todos os limites impostos pelas leis e pela Constituição”, afirmou Gilmar Mendes.
Especialistas em direito e mercado financeiro questionam o valor cobrado pelo escritório de Viviane Barci, considerando-o desproporcional para os serviços descritos. O contrato levanta questões sobre a ética na advocacia e a gestão de risco das empresas ao contratar escritórios vinculados a parentes de autoridades públicas.

