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Teplizumabe é aprovado no Brasil como tratamento para diabetes tipo 1

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o teplizumabe, conhecido comercialmente como Tzield, o primeiro tratamento com potencial para retardar a evolução do diabetes tipo 1 no Brasil. O medicamento é um anticorpo monoclonal desenvolvido pela farmacêutica Sanofi e foi testado em crianças e adultos.

O teplizumabe é indicado para indivíduos com diabetes tipo 1 que ainda não apresentaram sintomas, mas que já têm alterações nos níveis de açúcar no sangue devido à perda progressiva das células que produzem insulina. A insulina é essencial para permitir que a glicose entre nas células do corpo, fornecendo energia e evitando problemas circulatórios.

O medicamento atua em uma proteína específica do sistema imunológico, a CD3, interferindo no ataque das células de defesa ao pâncreas. Mesmo sem sintomas, é possível identificar a presença de autoanticorpos contra as células beta do pâncreas por meio de exames de sangue.

O diabetes tipo 1 é mais comum em crianças, adolescentes e adultos jovens, e muitas vezes é diagnosticado apenas após o surgimento de sintomas como sede excessiva, aumento da frequência urinária e perda de peso inexplicada. O tratamento tradicional envolve aplicações diárias de insulina, mas o objetivo do teplizumabe é atuar antes que esses sintomas apareçam.

O medicamento foi aprovado para pacientes a partir dos 8 anos de idade no estágio 2 da doença, quando há presença de autoanticorpos, mas o paciente ainda não apresenta sintomas. A evolução do diabetes tipo 1 é dividida em quatro estágios, sendo que o teplizumabe é indicado para evitar a progressão do estágio 2 para o estágio 3.

Nos ensaios clínicos, o uso do teplizumabe demonstrou retardar em cerca de dois anos o desenvolvimento de sintomas e a progressão do diabetes, além de reduzir em quase 60% a necessidade de insulina. No entanto, a medicação não é uma cura e não impede completamente a evolução da doença.

““Embora represente um tremendo avanço, o remédio não impede completamente o desenrolar da doença”, disse o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri.”

A aprovação do Tzield foi bem recebida pela comunidade médica, mas especialistas alertam que a medicação não é indicada para todos os pacientes com diabetes tipo 1, pois muitos são diagnosticados em estágios mais avançados. O preço do tratamento ainda não foi definido no Brasil, mas nos Estados Unidos, o ciclo de teplizumabe custa quase 200 mil dólares, cerca de R$ 1 milhão.

““Estamos diante de um novo capítulo no tratamento do diabetes tipo 1, com uma possibilidade real de mudar o curso da doença”, afirmou Couri.”

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