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Petrobras se beneficia com alta do petróleo, mas enfrenta dilemas com guerra no Irã

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

A escalada do conflito no Oriente Médio resultou em uma disparada do preço do petróleo no mercado internacional, o que coloca a Petrobras em uma situação de efeitos contraditórios. Por um lado, a valorização do barril aumenta as receitas da companhia, fortalecendo seu caixa. Por outro, a situação reacende debates sobre a política de preços da estatal e amplia os riscos relacionados à importação de diesel, além de aumentar a pressão política para evitar impactos na inflação no Brasil.

Segundo João Abdouni, analista da Levante Inside Corp, a alta do petróleo tende a melhorar os resultados da Petrobras, especialmente nas exportações.

““A alta do petróleo impacta positivamente os resultados da Petrobras, especialmente no segmento de exportação, que ganha margens maiores neste momento.””

Quando o barril sobe, as vendas externas da empresa geram mais receita, o que reforça a entrada de dinheiro na companhia, um efeito já observado em ciclos anteriores de preços elevados.

Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, destaca que períodos em que o Brent opera próximo ou acima de US$ 100 costumam resultar em forte geração de caixa para a estatal.

““Em períodos anteriores de Brent alto, na casa dos US$ 100, a Petrobras gerou um fluxo de caixa massivo, chegando a distribuir R$ 215 bilhões em proventos.””

Essa capacidade de geração de caixa ajuda a explicar por que empresas de petróleo costumam se sair melhor em momentos de tensão internacional.

Por outro lado, a alta do petróleo reacende discussões sobre a política de preços da Petrobras. Desde 2023, a estatal deixou de seguir automaticamente as oscilações do mercado internacional, substituindo o antigo modelo de paridade de importação (PPI) por um sistema mais gradual de reajustes. Marcos Bassani, analista e sócio da Boa Brasil Capital, afirma que essa mudança ajuda a reduzir os impactos imediatos de crises externas sobre os preços dos combustíveis no país.

““A Petrobras abandonou o PPI por um modelo discricionário e gradual, o que reduz a frequência de reajustes e amortece o impacto da guerra para o consumidor no curto prazo.””

Entretanto, essa estratégia pode gerar desafios quando a diferença entre os preços internos e internacionais aumenta. Abdouni observa que a Petrobras tem adotado uma postura cautelosa neste momento de volatilidade, atrasando o repasse de preços para evitar repassar a volatilidade imediata ao mercado local.

Outro ponto de atenção é a dependência do Brasil em relação ao diesel importado. Apesar de produzir muito petróleo, o país ainda depende da importação desse combustível. Bassani alerta que grandes defasagens entre os preços da Petrobras e os do mercado internacional podem desestimular importadores, gerando risco de abastecimento.

““Grandes defasagens podem desestimular importadores e gerar risco de oferta.””

A alta do petróleo também pode pressionar a inflação no Brasil. O diesel é o principal combustível utilizado no transporte de cargas, e seu aumento de preço tende a elevar o custo do frete, que é repassado ao longo da cadeia produtiva. Jhonny Martins, especialista contábil e vice-presidente do SERAC, destaca que o impacto vai além do transporte.

““O combustível não é apenas custo de transporte. Ele afeta toda a cadeia produtiva e logística.””

Isso pode resultar em preços mais altos para o consumidor final.

Além disso, a incerteza provocada pelo conflito dificulta o planejamento financeiro de muitas empresas, tornando mais difícil calcular gastos e definir preços. Apesar dos ganhos para as empresas do setor, preços muito elevados do petróleo também geram preocupações no mercado financeiro. Um relatório da XP aponta que existe uma faixa considerada mais favorável para o desempenho da economia e da bolsa brasileira, entre US$ 60 e US$ 70. Níveis acima de US$ 90 a US$ 100 tendem a gerar preocupação, pois o impacto inflacionário pode superar os benefícios da balança comercial.

Vitor Sousa, da Genial Investimentos, recomenda cautela, afirmando que parte do cenário positivo já pode estar refletida nos preços das ações.

““O melhor já passou.””

Ele argumenta que o mercado trabalhava anteriormente com um Brent entre US$ 70 e US$ 80, e comprar ativos do setor quando o petróleo já está muito valorizado pode ser arriscado.

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