Em 2016, funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Havana, Cuba, relataram doenças com sintomas como enxaquecas, náuseas, lapsos de memória e tonturas. Desde então, outros diplomatas e espiões americanos afirmaram ter sofrido da mesma condição, que ficou conhecida como ‘Síndrome de Havana’. Recentemente, o assunto voltou a ser discutido devido a uma investigação do programa 60 Minutes, da CBS, em parceria com o site russo independente The Insider.
A reportagem, publicada na segunda-feira, 9 de março de 2026, sugere que militares dos Estados Unidos testaram uma arma de energia secreta que poderia estar relacionada à doença que afetou os diplomatas em Cuba. O equipamento teria sido testado por mais de um ano em um laboratório militar, com experimentos em ratos e ovelhas mostrando lesões semelhantes às observadas em pessoas afetadas pela síndrome.
Os sintomas relatados incluem dores intensas na cabeça, perda de equilíbrio, problemas de visão, zumbido nos ouvidos, sangramentos e dificuldades cognitivas. Pesquisadores afirmaram que as lesões poderiam ser causadas por pulsos de micro-ondas que interferem na atividade elétrica do cérebro.
A tecnologia, desenvolvida na antiga União Soviética, foi apreendida pelos Estados Unidos em 2024 através de uma rede criminosa russa que vendia armas. O Departamento de Defesa americano financiou a operação com cerca de US$ 15 milhões após relatos de ataques a funcionários do governo e seus familiares.
A arma seria portátil e silenciosa, capaz de emitir pulsos de energia eletromagnética a centenas de metros, atravessando paredes e janelas. A investigação revelou que centenas de episódios envolvendo a suposta arma foram registrados, inclusive em áreas próximas à Casa Branca.
Um relato de uma esposa de um funcionário do Departamento de Justiça descreveu como ela ficou ferida após o uso da arma na Europa, quando um agente de inteligência russo estava nas proximidades. Ela relatou:
““Simplesmente perfurou minhas orelhas, entrou pelo lado esquerdo, senti como se tivesse entrado pela janela, direto na minha orelha esquerda. Imediatamente senti uma sensação de plenitude na cabeça e uma dor de cabeça lancinante.””
Ela passou por várias cirurgias para reparar danos nos ouvidos e no crânio, e outras vítimas também apresentaram sequelas permanentes.
O Insider já havia informado que membros da Diretoria Principal de Inteligência da Rússia (GRU) estavam posicionados nos locais onde ocorreram os incidentes de saúde. Os oficiais teriam recebido recompensas por trabalhos relacionados ao desenvolvimento de ‘armas ultrassônicas não letais’. A primeira utilização da doença como arma teria ocorrido em 2014, em Frankfurt, na Alemanha, quando um funcionário do governo dos Estados Unidos foi nocauteado por um feixe de energia.
Apesar disso, avaliações do governo dos Estados Unidos em 2023 afirmaram que era “muito improvável” que os casos fossem causados por ataques de um país adversário. O 60 Minutes contestou essa avaliação, com ex-agentes de inteligência sugerindo que autoridades americanas poderiam ter minimizado o problema para evitar uma crise diplomática.


