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Grupo Pão de Açúcar apresenta plano de recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou nesta terça-feira (10) que firmou um acordo com seus principais credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial. A medida envolve cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas e visa reorganizar as finanças da empresa sem recorrer à recuperação judicial.

A recuperação extrajudicial permite que a empresa renegocie parte de suas dívidas diretamente com credores, fora da Justiça. O objetivo é ganhar prazo ou melhores condições de pagamento, evitando problemas mais graves, como a falência, enquanto as operações da empresa continuam funcionando normalmente. O plano tem efeito imediato e prazo inicial de 90 dias.

Dívidas com fornecedores, parceiros, clientes e obrigações trabalhistas não estão incluídas no plano e, portanto, não serão afetadas. Isso significa que as lojas da companhia permanecerão abertas e operando.

O GPA enfrenta dificuldades financeiras há anos, resultado de diversos fatores, como a baixa demanda em períodos de alta inflação de alimentos e o elevado nível de juros, que encareceram suas dívidas. A empresa já reportava prejuízos líquidos anuais desde 2022 e, no último trimestre do ano passado, levantou dúvidas sobre sua capacidade de continuar operando.

No final de 2025, o GPA apresentava um déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão, resultante de empréstimos e títulos de dívida com vencimento em 2026. Apesar de resultados melhores nas vendas, a companhia continuou a registrar prejuízos. “Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, afirmou a empresa em nota.

O GPA já iniciou negociações com credores para alongar prazos de dívidas financeiras e reduzir custos. Em 2025, a companhia registrou um prejuízo líquido de cerca de R$ 651 milhões, encerrando o exercício com uma dívida líquida de R$ 2 bilhões e uma dívida bruta total de R$ 4 bilhões.

O plano de recuperação foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e já conta com o apoio de credores que detêm 46% dos créditos incluídos no processo, equivalente a cerca de R$ 2,1 bilhões. O acordo prevê a suspensão temporária dos pagamentos dessas dívidas enquanto a empresa negocia novas condições.

O GPA afirmou que a iniciativa busca melhorar o perfil da dívida e fortalecer o balanço da companhia, garantindo a sustentabilidade financeira no longo prazo. As operações seguirão normalmente e a empresa está em dia com os pagamentos a fornecedores e parceiros comerciais.

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