O senador Alessandro Vieira protocolou no Senado um pedido de CPI para investigar a relação de ministros do Supremo Tribunal Federal com o escândalo do Banco Master. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, o parlamentar afirmou que já reuniu assinaturas suficientes para garantir a instalação da comissão.
Segundo Vieira, o objetivo da investigação é esclarecer vínculos entre os ministros Alexandre de Moraes e José Antonio Dias Toffoli com o grupo investigado por fraudes financeiras associadas ao banco. “É preciso entender por que familiares de ministros receberam somas milionárias desse grupo e se houve contraprestação lícita ou compra de acesso ao poder”, afirmou.
A proposta da CPI ainda depende da leitura do requerimento pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Vieira afirma ter obtido inicialmente 35 assinaturas, número suficiente para protocolar o pedido, e diz que novos apoios foram manifestados após o encerramento da coleta formal. Ele acredita que a comissão poderá superar facilmente a marca de 41 senadores favoráveis, que é a maioria da Casa.
O foco da comissão seria apurar a relação entre ministros do Supremo e o grupo investigado no caso Banco Master. Entre os pontos citados por Vieira estão pagamentos milionários feitos a familiares de ministros e possíveis interações entre autoridades e investigados. O senador afirma que a CPI pretende convocar envolvidos, ouvir os próprios ministros e acessar documentos para esclarecer os fatos.
Vieira reconhece que existe resistência política dentro do Congresso. Alguns parlamentares se sentem constrangidos diante da influência do Supremo sobre o ambiente político e jurídico. No entanto, ele acredita que a pressão da opinião pública e a gravidade das revelações tornam inevitável uma apuração mais profunda.
Sobre a possibilidade de que a investigação leve ao impeachment de ministros, o senador afirmou que esse cenário dependerá do resultado das investigações. Ele explicou que a abertura de uma CPI depende apenas do direito da minoria parlamentar, enquanto um processo de impeachment exige decisão formal do presidente do Senado. Caso a CPI identifique crimes de responsabilidade, o caminho institucional seria a abertura do processo no Senado.


