Cientistas descobriram uma enzima capaz de converter resíduos agrícolas, como bagaço de cana, palha de milho e aparas de madeira, em biocombustíveis e outros produtos sustentáveis. A pesquisa foi publicada na revista científica Nature e contou com o apoio do supercomputador Santos Dumont, instalado em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
A enzima identificada é metálica e se destaca por oxidar a extremidade do polímero da celulose, liberando ácido celobiônico, que pode ser utilizado na produção de biocombustíveis. A estrutura da proteína é complexa, com uma parte responsável pela produção de peróxido de hidrogênio e outra que, com íon de cobre, realiza a oxidação da celulose.
O estudo foi liderado por Mario T. Murakami, do Laboratório Nacional de Biorrenováveis, no Cnpem, e envolveu pesquisadores do LNLS, LNNano, USP e instituições internacionais, como Aix-Marseille University e Technical University of Denmark.
Para testar a aplicação industrial da enzima, os pesquisadores inseriram seu gene em um fungo já utilizado na indústria. O resultado foi um aumento significativo na liberação de açúcares a partir da biomassa pré-tratada, uma etapa crucial na produção de etanol celulósico e outros biocombustíveis avançados.
Os cientistas afirmam que essa descoberta pode aumentar o aproveitamento de resíduos agrícolas no Brasil e no mundo, contribuindo para a produção de energia renovável e produtos de alto valor. As pesquisas continuam no supercomputador Santos Dumont para aprofundar o conhecimento sobre o funcionamento e as aplicações da enzima.


