O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu proibir a gravação das conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seus advogados na Penitenciária Federal em Brasília. A decisão foi proferida na noite de segunda-feira, 9 de março de 2026, após os advogados de Vorcaro solicitarem ao Supremo a flexibilização das medidas de segurança do presídio.
Além de proibir as gravações, Mendonça autorizou que os advogados realizem visitas sem agendamento prévio e tomem notas escritas durante o encontro com Vorcaro. A defesa também poderá levar cópias impressas dos processos que tramitam contra o banqueiro.
O ministro é o relator das investigações da Operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master. Daniel Vorcaro foi preso na quarta-feira, 4 de março de 2026, na terceira fase da operação e estava custodiado na Penitenciária de Potim, no interior paulista. Na sexta-feira, 6 de março, ele foi transferido para a Penitenciária Federal em Brasília.
No ano anterior, Vorcaro também foi alvo de um mandado de prisão da operação, mas ganhou direito à liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica. A nova prisão foi fundamentada em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da operação, nas quais ele ameaça jornalistas e pessoas que teriam contrariado seus interesses.
A Operação Compliance Zero investiga fraudes bilionárias no Banco Master, que causaram um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos. Mais de 1,5 milhão de clientes foram afetados. O banco, controlado por Vorcaro, cresceu rapidamente ao oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDB) com rentabilidade acima da média do mercado, mas passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço.
O Banco Master teve a liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, e a mesma medida alcançou também a gestora de investimentos Reag e o Will Bank, em janeiro de 2026.


