O caso de estupro coletivo contra uma jovem no Rio de Janeiro reacendeu o debate sobre grupos que propagam ódio contra mulheres e atraem jovens na internet. A “machosfera” é o termo utilizado para descrever comunidades online que incentivam comportamentos agressivos de homens, defendendo a superioridade masculina e a submissão feminina.
Um dos grupos mais conhecidos dentro da machosfera é o “Red Pill”, que se inspira no filme “Matrix”. Os integrantes acreditam que despertaram para uma realidade onde as mulheres possuem mais direitos e privilégios do que os homens. A frase popularizada por esse grupo foi utilizada por um acusado de estupro coletivo.
Outro grupo relevante é o “Incel”, que significa “celibatário involuntário”. Os membros desse núcleo se consideram preteridos pelas mulheres heterossexuais, acreditando que elas escolhem parceiros apenas por interesses físicos. A ONU Mulheres alerta que a cultura extremista incel promove a agressão e mistura ideologias como racismo e homofobia.
O grupo “MGTOW” (Men Going Their Own Way) é menor no Brasil, mas ainda atrai jovens. Os integrantes acreditam que a sociedade está contra eles e optam por evitar relacionamentos com mulheres, priorizando o desenvolvimento pessoal. Eles frequentemente atacam leis de proteção às mulheres e iniciativas de igualdade de gênero.
A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar a trend “Caso ela diga não”, que viralizou no TikTok e incita práticas de violência contra a mulher. A investigação começou após denúncias de homens simulando reações violentas ao receber um “não” em situações românticas. A PF já solicitou a remoção de perfis que divulgaram esses conteúdos.
Apesar da remoção de alguns perfis, materiais que incitam a violência ainda estão ativos nas redes sociais. Vídeos com a frase “treinando caso ela diga não” mostram homens simulando agressões após uma rejeição. Influenciadores condenaram essa trend, destacando que normaliza a violência contra as mulheres.
O deputado federal Pedro Campos (PSB) propôs um requerimento para que a Procuradoria-Geral da República investigue a publicação viral. A proposta inclui a solicitação de informações sobre o alcance das publicações e dados de autoria às plataformas de redes sociais.
Os índices de violência contra a mulher no Brasil são alarmantes. Em 2025, o país registrou 1.568 feminicídios, um aumento de 4,7% em relação a 2024. Isso representa quatro mulheres assassinadas por dia. O TikTok afirmou que conteúdos que violam suas diretrizes foram removidos assim que identificados e que a segurança da comunidade é uma prioridade.


