Um vídeo em câmera lenta mostra a técnica de polinização da abelha-das-orquídeas, gravado pelo biólogo e meliponicultor Guilherme Aguirre em Campinas, São Paulo. O registro, compartilhado nas redes sociais, revela um comportamento curioso da espécie: a polinização por vibração.
A abelha verde-metálica extrai o pólen da flor do gengibre-azul utilizando vibrações do corpo. Com a câmera lenta, é possível observar detalhes que não são visíveis a olho nu. Após a extração, o inseto usa sua língua comprida para armazenar o pólen na corbícula, uma estrutura na pata traseira que funciona como uma bolsa.
““Filmar insetos é algo difícil, mas nesse dia estava batendo uma luz que me permitiu garantir a imagem com o celular. Consegui fazer em câmera lenta sem perder a nitidez. Foi especial, o único vídeo que já consegui assim dessa espécie”, celebra Guilherme.”
O vídeo, postado no perfil @meliponarioairbnbee, já ultrapassou 180 mil visualizações. Aguirre expressa satisfação com o alcance, pois o comportamento da abelha é desconhecido por muitos.
““Fico feliz de ver o alcance e poder despertar esse encantamento em pessoas que não estão acostumadas a observar esses fenômenos. É incrível compartilhar como funciona o mecanismo que a natureza cria”, pontua o biólogo.”
Embora sejam chamadas de abelhas-das-orquídeas, as abelhas do gênero Euglossa não se restringem a essas flores. No vídeo, a espécie coleta pólen do gengibre-azul (Dichorisandra thyrsiflora), uma flor nativa da Mata Atlântica. O objetivo é garantir alimento para a prole, depositando néctar e pólen em células de cria antes de botar os ovos.
As abelhas-das-orquídeas são solitárias, ao contrário das abelhas sociais.
““As fêmeas são independentes. Ela vive sozinha, busca alimento, constrói o ninho e faz a proteção sem ajuda. É uma ‘mãe solo’”, explica Aguirre.”
Os machos, para atrair parceiras, coletam óleos essenciais das plantas e os armazenam em uma corbícula que infla. Desde 2022, Guilherme cultiva cerca de 10 espécies de abelhas nativas sem ferrão, mantendo uma relação próxima com as abelhas-das-orquídeas.
““A abelha-das-orquídeas gosta de pegar cera das outras para construir o ninho. Quando estou mexendo nas caixas das abelhas sem ferrão, o cheiro da cera se espalha e elas se aproximam”, relata.”
Guilherme menciona que o contato se tornou frequente.
““Eu costumo dar essa cera na mão; ela pousa no meu dedo para pegar e levar embora. Tenho essa intimidade, ela não tem medo de mim”, finaliza.”


