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PF afasta cinco servidores da prefeitura de São Miguel do Iguaçu após investigação de corrupção

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Polícia Federal afastou cinco servidores da prefeitura de São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná, durante uma operação realizada nesta terça-feira, 10 de março de 2026. A medida foi determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná após investigação que apura ameaças contra a ex-candidata à prefeitura Rejane Christ (União) e suspeitas de compra de votos nas eleições municipais de 2024.

Os servidores foram afastados por 180 dias, com perda de salário. Entre os afastados estão servidores que ocupavam cargos de chefia em áreas como sinalização viária, iniciação esportiva e a Secretaria de Viação, além de uma servidora da área da saúde responsável por agendar consultas e exames. Os nomes dos servidores não foram divulgados pela Polícia Federal.

Além dos afastamentos, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão. Durante as buscas, os agentes apreenderam celulares, computadores, documentos e uma arma de fogo com munições.

A prefeitura de São Miguel do Iguaçu afirmou que não recebeu comunicação oficial da Polícia Federal ou da Justiça Eleitoral sobre a operação até o momento e disse que não teve acesso ao conteúdo da investigação.

A operação investiga ameaças e perseguições contra a ex-candidata à prefeitura Rejane Christ, do União Brasil, durante a campanha eleitoral de 2024. De acordo com as investigações, a candidata foi alvo de ameaças de morte, perseguição de veículos e emboscadas durante o período eleitoral. Em um dos episódios, ela recebeu um bilhete com a frase “Desista, professorinha” acompanhado de uma bala de revólver. Por causa das ameaças, a segurança da candidata foi reforçada e houve aumento do efetivo policial durante o período da eleição.

A Polícia Federal também apura indícios de compra de votos e uso indevido da estrutura da prefeitura para beneficiar aliados políticos. Segundo os investigadores, há suspeita de liberação irregular de consultas e exames médicos em troca de apoio eleitoral, além de nomeações para cargos comissionados ligadas ao esquema.

Os investigados podem responder por corrupção eleitoral, violência política de gênero, associação criminosa armada e transporte irregular de eleitores. Somadas, as penas podem chegar a 18 anos e 6 meses de prisão, segundo a PF.

A operação acontece no ano em que a Lei nº 14.192/2021, que criminaliza a violência política de gênero, completa quatro anos. A norma alterou o Código Eleitoral e estabeleceu mecanismos para prevenir, reprimir e combater a violência contra mulheres no exercício de seus direitos políticos.

Levantamento mostra que 43% das mulheres sofrem violência de gênero na política. Mesmo representando 51% da população paranaense, as mulheres seguem sub-representadas na política local. Das 399 cidades do estado, 72% (287 municípios) não elegeram nenhuma mulher para o cargo de prefeita desde o ano 2000, segundo dados do TSE.

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