As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 2,5 bilhões em fevereiro de 2026, apresentando uma queda de 20,3% em comparação ao mesmo mês de 2025, conforme o Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil.
Esse resultado marca a retração das exportações para o mercado americano por sete meses consecutivos, um movimento que teve início em agosto de 2025, quando os Estados Unidos impuseram sobretaxas de importação entre 40% e 50% sobre uma ampla gama de produtos.
Dentre os produtos agropecuários, a celulose, a carne bovina e o café não torrado estão entre os principais itens exportados pelo Brasil aos EUA. O desempenho das exportações de carne e celulose foi superior ao das exportações para o restante do mundo, enquanto o café não torrado foi o responsável pela queda nas exportações em fevereiro.
As vendas de celulose alcançaram US$ 123,6 milhões em fevereiro, um aumento de 37,9% em relação aos US$ 89,7 milhões exportados no mesmo mês de 2025. A carne bovina, isenta de tarifas de importação, totalizou US$ 217,8 milhões em exportações, com um crescimento de 100,9% em relação a 2025, quando as exportações somaram US$ 108,4 milhões.
O suco de laranja também teve um bom desempenho, totalizando US$ 61,4 milhões em exportações, um aumento de 71,1% em relação a 2025, quando o valor exportado foi de US$ 35,9 milhões. Assim como a carne bovina, o suco de laranja é isento de tarifas de importação.
Por outro lado, o café não torrado, também isento de tarifas, registrou uma queda de 40% nas exportações em fevereiro, totalizando US$ 114,4 milhões, em comparação aos US$ 190,5 milhões de 2025. Os extratos, essências e concentrados de café, que enfrentaram tarifas de 40%, apresentaram uma queda de 15,3% nas exportações, somando US$ 11 milhões em 2026, ante US$ 12,9 milhões no mesmo mês do ano anterior.
No primeiro bimestre de 2026, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 4,9 bilhões, uma queda de 23,2% em relação ao mesmo período de 2025, representando US$ 812 milhões a menos. Este é o menor volume de embarques desde 2023.
Embora a queda tenha sido menos intensa do que nos meses anteriores, o desempenho indica um início de ano com pressões significativas sobre o comércio bilateral. As medidas tarifárias, que entraram em vigor apenas no final de fevereiro, devem começar a impactar o fluxo comercial a partir de março.
““Os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte. Será importante acompanhar, nos próximos meses, em que medida essa mudança contribuirá para melhorar o desempenho das exportações brasileiras e o fluxo do comércio bilateral”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.”
A Amcham Brasil ressalta que as mudanças tarifárias anunciadas no final de fevereiro, após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que aboliu as sobretaxas de 40% e 50% e implementou uma nova sobretaxa global de 10%, ainda não estão refletidas nas estatísticas bilaterais.


