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Saúde

Perigos do uso recreativo de tadalafila entre jovens brasileiros

Amanda Rocha
Última atualização: 10 de março de 2026 17:49
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A tadalafila, medicamento indicado para tratar disfunção erétil em homens a partir dos 40 anos, tem sido utilizada de forma recreativa por jovens brasileiros. O fármaco, conhecido nas redes sociais como “tadala”, é promovido em vídeos como uma solução milagrosa para melhorar o desempenho sexual e até como pré-treino para potencializar ganhos musculares. No entanto, esses benefícios não possuem respaldo em evidências científicas, e o uso inadequado pode ser perigoso.

Uma revisão publicada em 2024 no Diversitas Journal analisou mais de 20 estudos e revelou que a maioria dos usuários da tadalafila não possui indicação clínica para seu uso. O perfil dos usuários é heterogêneo, mas um ponto comum é a aquisição do medicamento sem prescrição médica. As motivações para o uso incluem curiosidade, desejo de autoconfiança e pressão para ter um bom desempenho sexual.

““Nada disso, porém, pode ser resolvido apenas com a medicação”, afirma o farmacêutico-bioquímico Gustavo Alves Andrade dos Santos, da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (USP-RP).”

A tadalafila, juntamente com vardenafila e sildenafila (Viagra), são inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iF5) e são indicados para disfunção erétil orgânica. Eles atuam relaxando os tecidos penianos e aumentando o fluxo arterial, mas não proporcionam ganhos reais para homens sem problemas fisiológicos. Os remédios não aumentam a duração da ereção ou o tamanho do pênis.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta que a sensação de inchaço muscular relatada por usuários pode ser um efeito placebo.

““Na prática, trata-se de uma espécie de bengala psicológica”, explica o urologista Daniel Suslik Zylbersztejn, do Einstein Hospital Israelita.”

Os efeitos colaterais dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 incluem rubor facial e congestão nasal, mas o uso abusivo pode levar a problemas graves como taquicardia, alteração da pressão arterial, desmaios, perda temporária de visão ou audição, infarto, AVC e morte súbita. O priapismo, uma ereção anormal e persistente, também é um risco, especialmente para pacientes com comprometimento hepático.

O uso recreativo desses medicamentos em combinação com álcool pode resultar em um efeito paradoxal, comprometendo a ereção. Embora não haja evidência de dependência fisiológica, pode haver dependência psicológica. O uso de fármacos para disfunção erétil pode ser uma tentativa de lidar com inseguranças, especialmente em um contexto onde a comunicação social é predominantemente virtual.

““A obsessão com o tamanho do pênis ou a rigidez da ereção acaba impedindo esses indivíduos de aproveitarem a situação e criarem boas conexões”, avalia Zylbersztejn.”

Um estudo de 2020 no International Journal of Clinical Practice revelou que 51% dos jovens que usaram medicamentos para disfunção erétil o fizeram sem aconselhamento profissional. A circulação de formulações irregulares no Brasil agrava a situação, com produtos não autorizados pela Anvisa disponíveis na internet.

O médico do Einstein ressalta que a banalização do uso de medicamentos sem prescrição é preocupante e que a conscientização da população é essencial. O combate à automedicação deve incluir campanhas educativas e o papel dos farmacêuticos na orientação sobre a obrigatoriedade da receita médica.

““Um episódio isolado de falha na ereção pode gerar insegurança, mas isso é normal e não constitui justificativa para o uso sistemático desses medicamentos”, conclui Santos.”

TAGGED:Daniel Suslik ZylbersztejnDisfunção erétilEinstein Hospital IsraelitaGustavo Alves Andrade dos SantosRibeirão PretoSão PauloSaúde do homemSociedade Brasileira de UrologiaUniversidade de São Paulo
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